segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Montagem de textos sobre viagem



O tempo que navegaremos os quatro cantos da terra não se calcular. Viajar é uma arte de admirar. É amar loucamente cada aspecto do caminho. É ir em peregrinação, participando intensamente de coisas, de fatos, de vidas com as quais nos correspondemos desde sempre e para sempre. Para qualquer lado que vá, tudo será maior que qualquer sonho.

Há um momento feliz em todas as viagens: quando na bruma da distância já se advinha a presença dos amigos, quando se descobre o primeiro sorriso de boas-vindas e o coração se emociona sobre o primeiro ramos de flores.

Perguntaram-me para onde vou agora. Quem sabe para onde vai? Caminhamos sobre enigmas. Já deixamos para trás o sol enterrado no deserto; já descobrimos as estrelas e a lua veio ao nosso encontro.

O que me espera não sei.


Cecília Meireles

domingo, 8 de novembro de 2009

Fotografias plenas de sensibilidade, que encontro na internet..




















O maravilhoso mundo dos animais...



A bondade...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

La vida, instrucciones de uso



"Yo pienso que todo esto no se corresponde con mi personalidad. Yo no soy vanidoso. Y esto es un regalo para los vanidosos, que se vuelven locos con los agasajos. Yo lo veo como desde fuera. Lo veo fríamente. Lo he pasado bien y lo estoy pasando bien. Pero soy el mismo. El mismo que se ríe hasta de sí mismo."

La literatura

"Yo digo que la literatura es lo esencial, lo básico. Todo lo que no sea literatura no existe. Porque, ¿dónde está la realidad? Un árbol lo es porque uno lo está nombrando. Y al nombrarlo está suscitando la imagen inventada que teníamos. Pero si no lo nombras el árbol no existe."

"Yo he escrito desde siempre; claro, primero serían pavadas, tonterías, pero siempre estuve escribiendo. El sentido de mi vida está en la literatura, esa es la verdad y creo que la literatura es la verdadera realidad. A la vejez última he descubierto que eso de literatura y realidad es una falsa contraposición, la realidad es la literatura. La realidad real, no es real, no existe."


La infancia

"La realidad básica es la de la infancia y la adolescencia, y el resto va acumulando cosas, pero son esos tiempos los que de modo tácito siguen en nosotros. Y uno puede sacar o no sacar de ese baúl."

El secreto de su longevidad

"Influyen la biología, la suerte y la fortaleza de ser sincero consigo mismo... La mala conciencia inquieta y no deja vivir. Si uno no ha obrado bien puede que viva atormentado. Y yo no tengo nada de lo que arrepentirme."

La muerte

"Casi desde que nací tuve conciencia de la muerte, esa fatalidad que tarde o temprano a todos nos afecta. Hay que aceptarla, guste o no guste. A veces he podido entender a los que se suicidan. Incluso les he podido respetar. Pero yo he aguantado todo lo que tenía que aguantar. Y no ha sido poco."


Inmortalidad

"No, no creo en la inmortalidad, ojalá. Creo en la literatura, que es lo mismo que la vida para mí. Viviré algo más en mis libros, durante algún tiempo, y ya está. Ésa es toda la inmortalidad a la que aspiro."

Felicidad

"¿Que si he sido feliz? Yo no tengo una escala para medir la importancia de las cosas en mi vida, o para decir fue mejor esto o lo otro. Pero sí puedo decir que este momento en el que estoy con ustedes es un momento de felicidad para mí; que haya tantas personas interesadas en lo que soy yo y en lo que ha sido y será mi vida, me emociona."

Su recuerdo

"Que me recuerde cada uno como le dé la gana."


Dados; El País.

Francisco Ayala
(Francisco Ayala García-Duarte (Granada, Espanha, 16 de março de 1906 - Madrid, 3 de novembro de 2009)

Claude Lévi-Strauss


(Lévi-Strauss by Pablo Secca)

“Um espírito malicioso já definiu a América como sendo uma terra que passou da barbárie à decadência sem conhecer a civilização. Poderíamos com mais razão aplicar a fórmula às cidades do Novo Mundo: vão da frescura à decrepitude sem se deterem na antiguidade”.

Claude Lévi-Strauss

Bruxelas, 28 de novembro de 1908 — Paris, 30 de outubro de 2009)
foi um antropólogo, professor e filósofo francês. É considerado fundador da antropologia estruturalista, em meados da década de 1950, e um dos grandes intelectuais do século XX.

Professor honorário do Collège de France, ali ocupou a cátedra de antropologia social de 1959 a 1982. Foi também membro da Academia Francesa - o primeiro a atingir os 100 anos de idade.

Desde seus primeiros trabalhos sobre os povos indígenas do Brasil, que estudou em campo, no período de 1935 a 1939, e a publicação de sua tese As estruturas elementares do parentesco, em 1949, publicou uma extensa obra, reconhecida internacionalmente.

Dedicou uma tetralogia, as Mitológicas, ao estudo dos mitos, mas publicou também obras que escapam do enquadramento estrito dos estudos acadêmicos - dentre as quais o famoso Tristes Trópicos, publicado em 1955, que o tornou conhecido e apreciado por um vasto círculo de leitores.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Al Martino



O cantor americano de origem italiana Al Martino, intérprete de baladas populares como "Spanish Eyes" e "Volare" e que atuou como o cantor de casamento no filme "O Poderoso Chefão"(1972), faleceu aos 82 anos, informa o jornal Philadelphia Inquirer.

Al Martino - cujo nome verdadeiro era Alfred Cini - morreu na terça-feira (13/10/2009) na Filadélfia (Pensilvânia), cidade em que foi criado, segundo Jerry Blavat, um amigo do cantor.

O Philadelphia Inquirer não informa as causas da morte do artista.

Al Martino foi muito famoso nas décadas de 1950 e 1960. Sua carreira teve como ponto alto o ano de 1965 com a música "Spanish Eyes", que se tornou um grande sucesso.


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Breve Explicação do Sentido da Vida



Como exprimir em duas linhas o que venho tentando explicar já não sei em quantos livros? A vida é um valor desconcertante pelo contraste entre o prodígio que é e a sua nula significação. Toda a «filosofia da vida» tem de aspirar à mútua integração destes contrários. Com uma transcendência divina, a integração era fácil. Mas mais difícil do que o absurdo em que nos movemos seria justamente essa transcendência. Há várias formas de resolver tal absurdo, sendo a mais fácil precisamente a mais estúpida, que é a de ignorá-lo.
Mas se é a vida que ao fim e ao cabo resolve todos os problemas insolúveis - às vezes ou normalmente, pelo seu abandono - nós podemos dar uma ajuda. Ora uma ajuda eficaz é enfrentá-lo e debatê-lo até o gastar... Porque tudo se gasta: a música mais bela ou a dor mais profunda. Que pode ficar-nos para já de um desgaste que promovemos e ainda não operamos? Não vejo que possa ser outra coisa além da aceitação, não em plenitude - que a não há ainda - mas em resignação. Filosofia da velhice, dir-se-á. Com a diferença, porém, de que a velhice quer repouso e nós ainda nos movemos bastante.


Vergílio Ferreira,
in "Um Escritor Apresenta-se"
Escritor/Ensaísta/Professor
(Portugal-1916-1996)

sábado, 10 de outubro de 2009

Fotografias que me encantam...






















quarta-feira, 7 de outubro de 2009

NOS CORREDORES DA VIDA


(Labirinto de Longleat- Reino Unido)

as gargantas secas emudecem
os fortes alcançam as montanhas
neles
há labirintos sem traduções
e traduções de labirintos.


Nos corredores da vida
há monges sem preces
e preces que o vento apagou.


Nos corredores da vida
tu e eu
nos debatemos em suas paredes
às vezes sombrias
às vezes aquecidas dos longos invernos.


Ah, nos corredores da vida!
e eu que ainda tenho tantas lagrimas
para derramar la.


E eu que entrei tão devagarinho
dentro dele
vestida de catedrais
e empunhando lanças de guerreiro
e trazendo lanternas
porque a cegueira dos caminhos
já se faz presente. . .



Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Formatações poéticas da amiga Regina Helena

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Voeu



Si j'étais la feuille que roule
L'aile tournoyante du vent,
Qui flotte sur l'eau qui s'écoule,
Et qu'on suit de l'oeil en rêvant ;

Je me livrerais, fraîche encore,
De la branche me détachant,
Au zéphyr qui souffle à l'aurore,
Au ruisseau qui vient du couchant.

Plus loin que le fleuve, qui gronde,
Plus loin que les vastes forêts,
Plus loin que la gorge profonde,
Je fuirais, je courrais, j'irais !

Plus loin que l'antre de la louve,
Plus loin que le bois des ramiers,
Plus loin que la plaine où l'on trouve
Une fontaine et trois palmiers ;

Par delà ces rocs qui répandent
L'orage en torrent dans les blés,
Par delà ce lac morne, où pendent
Tant de buissons échevelés ;

Plus loin que les terres arides
Du chef maure au large ataghan,
Dont le front pâle a plus de rides
Que la mer un jour d'ouragan.

Je franchirais comme la flèche
L'étang d'Arta, mouvant miroir,
Et le mont dont la cime empêche
Corinthe et Mykos de se voir.

Comme par un charme attirée,
Je m'arrêterais au matin
Sur Mykos, la ville carrée,
La ville aux coupoles d'étain.

J'irais chez la fille du prêtre,
Chez la blanche fille à l'oeil noir,
Qui le jour chante à sa fenêtre,
Et joue à sa porte le soir.

Enfin, pauvre feuille envolée,
Je viendrais, au gré de mes voeux,
Me poser sur son front, mêlée
Aux boucles de ses blonds cheveux ;

Comme une perruche au pied leste
Dans le blé jaune, ou bien encor
Comme, dans un jardin céleste,
Un fruit vert sur un arbre d'or.

Et là, sur sa tête qui penche,
Je serais, fût-ce peu d'instants,
Plus fière que l'aigrette blanche
Au front étoilé des sultans.

Victor Hugo
(1802-1885)
Recueil : Les orientales

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Primavera




A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome,
nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.
A inclinação do sol vai marcando outras sombras;
E os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra,
nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes
e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa,
como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as
árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas
apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não
se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as
amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram
pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas
de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega,
coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços
carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a
terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens
terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes
deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão
outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os
ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.


Cecília Meireles