Seja bem-vindo. Hoje é

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Leonard Bernstein

Leonard Bernstein Lawrence, 25 de Agosto de 1918 – Nova Iorque, 14 de Outubro de 1990)
foi um maestro, compositor, e pianista americano. Vencedor de vários Emmys, Bernstein foi o primeiro compositor nascido nos Estados Unidos a receber reconhecimento mundial, ficando famoso na direção da Filarmônica de Nova York, os célebres concertos para jovens na televisão (Young People's Concerts), entre 1954 e 1989, e suas composições, como West Side Story, Candide, e On the Town. Uma das figuras mais influentes na história da música clássica americana, patrocinou obras de compositores americanos e inspirador das carreiras de uma geração de novos músicos.

Bernstein nasceu Louis Bernstein em Lawrence, Massachusetts, filhos dos judeus ucranianos, Jennie e Samuel Joseph Bernstein. Sua avo materna insistiu que seu primeiro nome fosse Louis, mas seus pais preferiam chamá-lo de Leonard. Seu nome foi oficialmente mudado para Leonard quando ele completou quinze anos, pouco tempo após a morte de sua avó.

Seu pai, Sam Bernstein era um homem de negócios e dono de uma livraria em Lawrence e inicialmente era contra a idéia de seu filho seguir na carreira da música, mas Bernstein freqüentava concertos. Ainda criança, Bernstein ouviu a uma performance de piano e ficou, imediatamente, apaixonado e subseqüentemente começou a ter aulas do instrumento. Bernstein freqüentou a Escola Garrison e a Escola de Latim de Boston.
Após sua graduação na Escola de Latim de Boston em 1935, Bernstein ingressou na Universidade de Harvard, onde estudou música com Walter Piston e assossiou-se ao Club Glee de Harvard. Um de seus amigos de Harvard foi o filósofo Donald Davidson, com quem tocou uma peça de piano para quatro mãos. Bernstein escreveu e conduziu a partitura para o músical de Davidson.

Após completar seus estudos em Harvard, ele ingressou no Instituto Curtis de Música na Filadélfia, onde recebeu apenas um "A" de Fritz Reiner, em Condução. Durante esse período, Bernstein também estudou piano com Isabelle Vengerova, orquestração com Randall Thompson, contraponto com Richard Stöhr e leitura de partitura com Renée Longy Miquelle.



Durante o começo de sua carreira em Nova Iorque, Bernstein aproveitou uma exuberante vida social, que incluiu casos com homens e mulheres. Ele se casou com a atriz chilena Felicia Cohn Montealegre, no dia 10 de setembro de 1951. Com ela teve três filhos: Jamie, Alexander e Nina.Durante o seu casamento, Bernstein tentou ser discreto em relação às suas aventuras extraconjugais, mas com o passar dos anos e com o aumento da visibilidade do movimento de libertação gay, Bernstein se assumiu e deixou Felicia para viver com Tom Cothran. Pouco tempo depois, Bernstein soube que a sua ex-esposa tinha tido um diagnóstico de câncer de pulmão e voltou para acompanhá-la até a morte, em 16 de Junho de 1978.
Bernstein (1945)



Tem-se sugerido que Leonard Bernstein era bissexual - afirmação suportada nos próprios comentários de Bernstein, que dizia não ter preferências por nenhum tipo especial de cozinha, género musical ou forma sexual - e tem sido alegado que ele se debatia entre a sua devoção à família e os seus desejos sexuais, mas Arthur Laurents, amigo de Bernstein e colaborador em West Side Story, disse que Bernstein era simplesmente "um homem gay que se casou. Ele não teve conflitos sobre tudo isso. Ele era apenas gay".Shirley Rhoades Perle, outra amiga de Bernstein, afirmou que "ele desejava homens sexualmente e mulheres emocionalmente".

Bernstein foi um grande maestro, compositor e educador. Ele é, provavelmente, mais lembrado pelo público pela sua atuação como diretor musical da Filarmônica de Nova Iorque, por conduzir concertos com muitas orquestras de todo o mundo e por ter escrito a música de West Side Story. Ele escreveu três sinfonias, duas operas e cinco musicais, fora outras tantas peças.
Em 1980 Bernstein recebeu o Kennedy Center Honors.


Em 1982, ele e Ernest Fleischmann fundaram o Instituto Filarmônico de Los Angeles, onde ele serviu como Diretor Artístico por dois anos. Foi também o maestro convidado regular da Orquestra Real Concertgebouw em Amsterdã. Na década de 1980 ele gravou, entre outras, as sinfonias nºs 1, 2, 4 e 9 de Mahler com a orquestra.Em 1985 ele conduziu uma gravação completa da sua obra West Side Story pela primeira e única vez. A gravação foi muito criticada por ter no elenco cantores líricos, como Kiri te Kanawa, José Carreras e Tatiana Troyanos, entretanto, foi um best-seller.




Quatro anos depois, ele novamente conduziu seus musicais, mas com cantores da Broadway. Nesse período fez a gravação de Candide, com Jerry Hadley, June Anderson, Adolph Green e Christa Ludwig. No Natal desse mesmo ano, Bernstein conduziu a Nona Sinfonia de Beethoven em Berlim, celebrando o Natal e a queda do Muro de Berlim. O concerto foi televisionado para mais de vinte países e estima-se que mais de 100 milhões de pessoas assistiram. Nessa ocasião, Bernstein modificou o texto Hino à Alegria de Friedrich Schiller, substituíndo a palavra Freiheit (Liberdade) para Freuden (aproveitar) Bernstein na introdução ao concerto disse que "tomou a liberdade" de fazer isso e que tinha "certeza de que Beethoven está nos abençoando".

Sua última apresentação pública foi em Tanglewood, dia 19 de agosto de 1990 com a Orquestra Sinfônica de Boston, numa performance de "Four Sea Interludes" de Benjamin Britten e da Sétima Sinfonia de Beethoven Sofreu um acesso de tosse no meio de uma performance de Beethoven que quase interrompeu o concerto, que foi lançado posteriormente em CD pela Deutsche Grammophon.

Bernstein morreu de pneumonia e um turmor pleural apenas cinco dias depois de se aposentar. Bernstein fumou muito por um longo período de tempo, e por teve enfisema desde a metade da década de 1950.
No dia da procissão do seu funeral pelas ruas de Manhattan, pessoas que trabalhavam nas obras ao redor tiravam seus chapéus e capacetes e disseram "Adeus Lenny". Bernstein está enterrado no Cemitério Green-Wood, Brooklyn, Nova Iorque.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

DURANTE, O CAMINHAR*




Todas as coisas já foram ditas.
Mas como ninguém escuta,
É preciso recomeçar.
(André Gide)



Mar, areia, espuma e sal: sonhos que namoram pesadelos, povoam minhas noites de fogo e ferro.

No sagrado esquecer dos meus sonhos, escondo de mim todo o sofrer - enquanto sorrio lamúrias inúteis. Trago, no peito e nos pés, no sangue e por entre ossos, a certeza de tantas incapacidades:

Como lidar com o amanhecer; com os mais afoitos raios do sol da manhã?

Como atender às pequenas ou grandes demandas do amor?

Como tudo falar, quando somente escrever me faz caber no espaço solerte que me separa do outro?

Como avançar com palavras, mãos cheias de pérolas cativas? Qual Bandeirante com batéia de esmeraldas a saltarem como pequenos bagres, piáus, lambaris e traíras - em pescarias de peneira - naquele longínquo rio do curto período de infância no campo?

Como afiançar o número e nome, de todas as exatas cores do arco-íris, apreendidas em estranho dialeto africano que desconheço? Como dizer à amante o quanto lhe quero, se na garganta tantas palavras ainda não recupero?

Chorei ao nascer e, tendo a morte como diária e fiel companheira, não hei de mais chorar ao morrer. Mas, sei quão longo é o caminho de uma à outra ponta.

Neste "durante", cultivo o necessário esmero na busca das melhores palavras; dos mais afoitos e aflitos sons que habitam o infinito - além do mar; do lago mais próximo e do terrível horizonte além.

A felicidade não tem fonte, frente ou dono: cabe-lhe apenas o ônus de a tantos homens iludir.

Quando adormeço, me despeço da vida e me entrego, solene, a outras vidas. É quando visito parentes que mal conheço; quando alivio as dores que me importunam, quando mergulho no emaranhado mundo dos outros.

É quando, escravo das luzes, me vejo adiante das trevas - livre e leve: capaz de caminhar sobre a terra; nadar em profundos oceanos e mares, em riachos e maiores rios de tantas eras proibidas.

Acordo para lembrar um tão pouco do que vivi: um grão das tantas terras que vi, uma folha rota das imensas florestas em que me perdi. Tudo, apenas reflexos dos raios de sóis diversos, dispersos nas

praias da frágil memória (nano)atômica...


*Jairo De Britto
Ilha de Vitória - ES - Brasil
(07.Janeiro.2010)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Gidon Kremer



Entre os principais violinistas internacionais, Gidon Kremer desenvolveu uma das carreiras certamente menos convencionais. Nascido em Riga,(27/02/1947) na Letónia, começou os seus estudos aos quatro anos de idade com o seu pai e o seu avô, ambos exímios executantes de instrumentos de cordas. Aos sete anos iniciou a sua aprendizagem formal, ingressando na Escola de Música de Riga. Aos dezasseis anos foi-lhe atribuído o Primeiro Prémio da República da Letónia e dois anos mais tarde começou a estudar com David Oistrach no Conservatório de Moscovo. Em 1967 ganhou o Concurso Queen Elizabeth, seguindo-se Primeiros Prémios nos Concursos Internacionais Paganini e Tchaikovsky.



Estes sucessos lançaram a distinta carreira de Gidon Kremer, estabelecendo a sua reputação mundial como uma dos mais originais e completos artistas da sua geração. Apresentou-se em todos os grandes palcos mundiais de concertos, com as mais prestigiadas orquestras da Europa e da América. Colaborou com os mais destacados maestros, incluindo Leonard Bernstein, Herbert von Karajan, Christoph Eschenbach, Nikolaus Harnoncourt, Lorin Maazel, Riccardo Muti, Zubin Mehta, James Levine, Valery Gergiev, Claudio Abbado e Sir Neville Marriner, entre outros.

O repertório de Gidon Kremer é invulgarmente extenso, englobando todas as principais obras para violino dos períodos clássico e romântico, bem como a música de compositores do século XX, como Alfred Schnittke, Arvo Pärt, Giya Kancheli, Sofia Gubaidulina, Valentin Silvestrov, Luigi Nono, Aribert Reimann, Peteris Vasks, John Adams e Astor Piazzolla.



O catálogo discográfico de Gidon Kremer é extremamente extenso, contendo mais de 100 álbuns, muitos dos quais receberam importantes prémios internacionais em reconhecimento pelos seus excepcionais dotes interpretativos; entre eles contam-se os prestigiantes Grand Prix du Disque, Deutsche Schallplattenpreis, Ernst-von-Siemens Musikpreis, Bundesverdienstkreuz, Premio dell'Accademia Musicale Ghigiana, Triumph Prize 2000 (Moscovo) e, em 2001, o Prémio da UNESCO. Em Fevereiro de 2002, Gidon Kremer e a Kremerata Baltica receberam um Grammy pela disco intitulado After Mozart (Nonsuch), na categoria ''Best small Ensemble Performance''.

Em 1981, Gidon Kremer fundou em Lockenhaus, na Áustria, um festival de música de câmara que tem lugar todos os verões. Durante dois anos, 1997-98, assumiu a liderança artística do Festival de Gstaad, sucedendo a Sir Yehudi Menuhin, o seu fundador. Em 1997 fundou a orquestra de câmara Kremerata Baltica que reúne jovens músicos de talento dos três Estados Bálticos. Desde então, Gidon Kremer tem realizado frequentes digressões com esta orquestra, apresentando-se nas principais salas de concertos e festivais internacionais. Gravou também vários CDs com a Kremerata Baltica, para as etiquetas Teldec e Nonesuch, tendo o primeiro sido dedicado à música de Peteris Vasks e Astor Piazzolla. A partir de 2002, Gidon Kremer é o Director Artístico de um novo festival em Basileia - ''les muséiques''.



Gidon Kremer toca um violino Guarnerius del Gesù ''ex-David'', datado de 1730. É também o autor de três livros, publicados em alemão, que reflectem as suas orientações artísticas.

Ivry Gitlis



Ivry Gitlis (Hebrew: עברי גיטליס‎) (born Haifa, August 22, 1922- is an Israeli violinist and UNESCO Goodwill Ambassador. He has performed with the world's best orchestras (New York Philharmonic, Berlin Philharmonic, Vienna Philharmonic, Philadelphia Philharmonic, and Israel Philharmonic), and many of his recordings are considered classics.




Born in Haifa, Mandate Palestine to Russian parents, Gitlis studied violin at an early age. When violinist Bronisław Huberman first heard him play, he sent him for study at the Conservatoire de Paris, where Gitlis won a first prize at age 13. His teachers include Carl Flesch, George Enescu, and Jacques Thibaud. In 1951, Gitlis made his debut in Paris.[1]

His first recording, “Le Concerto à La mémoire d'un ange” by Alban Berg, won the Grand Prix du Disque in France.[1]

In 1968 he participated in John Lennon's Dirty Mac project on The Rolling Stones Rock and Roll Circus program.

In 1971 Bruno Maderna wrote Piece for Ivry for him.

In 1990 Gitlis was designated UNESCO Goodwill Ambassador. His stated aim is the "support of education and culture of peace and tolerance".

Ivry Gitlis is a commentator (along with Itzhak Perlman) all the way through the DVD "The Art of Violin" (2000) which showcases performances and gives biographical details of many of the great violinists of the 20th Century.

Since the end of the sixties, Gitlis has resided in Paris, France.

At various stages in his career he played on the 1737 "Chant du Cygne" Stradivarius and the "Ysaye" Guarnerius del Gesu. Ivry currently owns the "Sancy" Stradivarius of 1713.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

CÚMPLICES NA ETERNA IDADE* (Uma crônica de Jairo de Britto)



Hoje, Sunny Arthur me visitou! Eu o recebo com um fraterno abraço e beijos. Digo-lhe sempre que é muito bem-vindo. Ele me diz que, pela primeira vez, notou o tapete na porta de entrada do apartamento: lá, aonde leu “Bem-vindo”.

Abraço meu filho como se fosse pela última vez; como se fosse nosso último e sempre prazeroso encontro.Assim tem sido por séculos e séculos, em nossa jornada, pelos universos que visitamos, ambos vestidos com diferentes cascas de nós.

Sua juventude transcende seu corpo! Seus olhos, curiosos e atentos, ouvem sobre minhas pequenas descobertas e meus grandes e inúteis lamentos. Ele faz perguntas; lê um belo poema e quer saber o que acho de tudo aquilo que dele depreendeu.

Conversamos sobre o fazer poético, a Arte Literária, as pretensões tantas dos homens que se dedicam à Teoria da Literatura... Aqueles que a defendem como Ciência; que acreditam poder dissecar poemas, como se tais fossem peças anatômicas de um cadáver conservado em cubas de formol.

Conto-lhe um pouco de minhas tantas e tontas desventuras acadêmicas; das minhas aventuras oníricas; falo de passados e presságios. Ele parece me ouvir encantado. Discreto, mira meus movimentos, acompanha meus passos; observa minha postura e atitudes.

Eu sinto sua Alma aproximar-se da minha - como as daqueles outros viajantes, companheiros e cúmplices de tarefas e ardis quânticos.

Do comentar de simples afazeres cotidianos, saltamos para ilações metafísicas - com a naturalidade dos pássaros

que buscam abrigo, à tardinha, nas árvores de parques tranqüilos; daqueles que ao centro abrigam grandes lagos serenos.

Quando o acompanho até o carro, nos despedimos como se fosse mais uma última vez. Assim tem sido; assim nos buscamos e nos despedimos ao longo dos séculos.

Nossos corpos e nossas situações têm assumido posturas, estágios e estampas diversas. Mas a ternura sobrepõe-se a quase tudo. Nossas dúvidas, e ainda tão poucas certezas, têm sido dirimidas e distribuídas por anos seguidos de seres e estares vários.

Nós nos entendemos e entretemos sem que sejam necessários verbos explícitos. Pai e Filho; Filho e Pai; Inimigos e Irmãos, nos reencontramos e, de certa discreta forma, nos cumprimentamos como se fosse pela primeira ou pela última vez.

Essa convivência, que atravessa milênios; que nos veste e despe de formas diversas em situações que nunca nos são de todo estranhas, tem sobrevivido a tempestades, borrascas, e à desvairada alegria que, neste nosso mais recente encontro, quase apaga lembranças que o tempo próximo passado apenas a um de nós permite guardar.

Ele, por exemplo, não se lembra de que, ao presenteá-lo com uma filmadora, o levei para uma praia deserta e fiz com que, ao utilizar a câmera pela primeira vez, gravasse a imagem daquilo que eu havia escrito na areia banhada pelas águas do nosso favorito Oceano: “Sabedoria!”.

Ele, ainda nesse mais recente encontro, porém mais velho, talvez não se lembre que me salvou a vida: exatamente no mesmo Atlântico que me arrastava para o fundo. Em que outro estágio, da História Cósmica, teria eu salvado sua vida?

Como em outros universos, neste conversamos sobre coisas e causos; trocamos impressões... Falamos, sem rancor,das pessoas que não gostam de nós e, com singular prazer, daquelas que nos amam.

Quando pela primeira vez conversei com ele, neste universo, ele ainda não havia nascido. Então, falamos numa língua (Inglês) que não era aquela que lhe esperava ao nascer. O relato desta minha onírica experiência o emocionou.

Noutro dia, no alto de um edifício, sentados numa ampla varanda, conversamos sobre a mais antiga diáspora que este planeta conhece: a do Povo Cigano! Depois, falamos dos Celtas, do seu alfabeto, do Novo Testamento e das tantas metáforas do Velho.

Um ao outro (ou uns aos outros), temos tanto a contar que uma única Vida não basta. O Tempo na Terra é curto: passa como um pássaro em busca de abrigo quando surpresa lhe faz a chuva.

Às vezes me sinto seu filho; noutras me sinto avô! Se inimigos fomos noutra época, motivos havidos para tanto se diluíram na poeira dos astros. Nesse atual reencontro, há uma nova melodia que nos embala e abençoa...

Quando nos abraçamos, sabemos tudo, absolutamente tudo aquilo que ainda não conseguimos compreender nem verbalizar. Nesse abstrato universo, apenas uma sinfonia nos é permitida ouvir. Solerte e solene, ela se impõe e nos acalenta. Quando nos olhamos, compreendemos que somos cúmplices na eterna idade.


*Jairo De Britto.
Ilha de Vitória, Espírito Santo (Brasil)
- 23.Maio.2008 -

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

James Levine


James Lawrence Levine
(Cincinnati, Ohio, 23 de junho de 1943)
é um consagrado maestro e pianista estadunidense. Atual diretor musical do Metropolitan Opera e da Orquestra Sinfônica de Boston.

Levine nasceu em Cincinnati, Ohio em uma família musical: seu avo paterno foi um cantor litúrgico em uma Sinagoga; seu pai foi um violinista e comandava uma banda; e sua mãe era uma atriz. Ele começou a tocar piano ainda pequeno.

Quando tinha apenas 10 anos fez seu primeiro concerto como solista, tocando Concerto para Piano Nº2 de Felix Mendelssohn com a Orquestra Sinfônica de Cincinnati.



Levine estudou música com Walter Levin, primeiro violinista do LaSalle Quartet. Em 1956 ele teve lições de piano com Rudolf Serkin na Escola de Música de Malboro, em Vermont. Nos anos seguintes ele começou a estudar com Rosina Lhévinne na Escola De Música Aspen.




Depis de se graduar na Escola Walnut, uma aclamada escola em Cincinnati, ele entrou para a Escola de Música Juilliard, em Nova Iorque em 1961 e teve aulas com Jean Morel. Ele se graduou em 1964 e uniou-se ao Projeto Maestros Americanos, conectado com a Orquestra Sinfônica de Baltimore.




De 1964 até 1965, Levine serviu como um aprendiz para George Szell com a Orquestra de Cleveland e serviu como maestro assistente até 1970. Nesse mesmo ano fez sua estréia como maestro com a Orquestra da Filadélfia na casa de verão no Robin Hood Dell. Fez sua estréia no mesmo ano com a Ópera Nacional Galês e a Ópera de São Francisco. Levine teve uma associação com a Orquestra Sinfônica de Chicago, onde foi Diretor Musical do Festival de Ravinia de 1973 até 1993.

Levine sua estréia no Metropolitan Opera em Junho de 1971, em uma performance do Festival de Tosca. Seu sucesso conduziu a novas aparições e para sua nomeação como Maestro Principal em 1973. Se tornou Diretor Musical em 1976. Em 1983 serviu como maestro e diretor musical para Franco Zeffirelli na adaptação de La Traviata. Ele se tornou o Primeiro Diretor Artístico em 1986[1] e renunciou em 2004.

Levine fez numerosas apresentações de obras consagradas, como por exemplo: as obras de Mozart, Verdi, Wagner, Richard Strauss, Rossini, Schoenberg, Stravinsky, Weill, Debussy, Berg e Gershwin.



Levine conduziu pela primeira vez a Orquestra Sinfônica de Boston (também conhecida pela sigla BSO) em Abril de 1972. Em Outubro de 2001, Levine foi nomeado Diretor Musical da Orquestra, efetivo entre 2004-2005, com um contrato inicial de cinco anos. É o primeiro estadunidense a conduzir essa orquestra.

A única condição que Levin negociou foi sobre a flexibilidade no tempo para os ensaios, graças a isso a orquestra tem um tempo adicional para se preparar. Desde o início do seu contrato, a orquestra criou um "Fundo de Iniciativo Artístico" de aproximadamente 100 milhões de reais, para financiar os projetos mais caros de Levine.

Levine conduz regularmente na Europa, com a Filarmônica de Viena, Filarmônica de Berlim e em festivais, como o Festival de Bayreuth, Festival de Salzburgo e o Festival de Verbier que ocorre anualmente em Julho. De 1999 até 2004 foi Maestro Chefe da Orquestra Filarmônica de Munique.

Desde 2005 Levine é o Diretor Musical do Centro Musical de Tanglewood, uma academia de verão da Orquestra Sinfônica de Boston.




Levine teve que lidar com questões de saúde nos últimos anos, incluindo a ciática e aquilo que ele chama de "tremura intermitentes". Em 1 de Março de 2006, Levine caiu no palco durante a ovação em pé após uma performance com a Orquestra Sinfônica de Boston, onde rasgou seu manguito rotador em seu ombro direito. Mais tarde foi submetido a uma cirurgia para reparar o prejuízo. Voltou ao pódio em 7 de Julho de 2006, regendo a Orquestra Sinfônica de Boston em Tanglewood. Em 2008 a orquestra anunciou a retirada da maioria dos concertos em Tanglewood graças à necessidade de cirurgia para retirar um rim com um cisto maligno. Retornou ao pódio em Boston, em 24 de Setembro de 2008.



Pesquisa;
Internet/Wikipédia/You Tube

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Parabéns Agustina Bessa-Luís, 86 anos hoje.

Hoje, Agustina Bessa-Luís, uma das mais consagradas escritoras portuguesa, está completando 86 anos de idade, escolhi um texto de Inês Pedrosa, para homenageá-lá.


A POESIA CARNAL DE AGUSTINA
por Inês Pedrosa


«Cada voz está só e é única e é contra o coração dos outros, vertiginosamente, que ela ressoa». Esta frase de Agustina acompanha-me todos os dias. Ilumina as tragédias dos telejornais como a tristeza quotidiana da mulher que confessa à amiga a sua decepção, numa mesa de café. As mulheres desiludem-se, ao contrário dos homens, que são ensinados a viver sem ilusões. Às mulheres, ensina-se-lhes a viver sem tudo menos isso. Por isso as mulheres são especialistas em sobrevivência: é-lhes muito difícil perder a esperança, uma nesga de esperança que seja. Há dias, um amigo dizia-me que a razão pela qual os homens mandam no mundo é o cuidado que têm em evitar conflitos directos. À primeira vista, isto parece uma qualidade – mas significa na realidade um exercício constante de desvio face às pequenas, médias e grandes iniquidades. Sublinho que foi um homem quem me explicou isto – e esta explicação responde a uma das afirmações mais repetidas acerca da obra de Agustina: a de que as mulheres têm nos seus livros uma força muito maior do que os homens. Os livros de Agustina têm a arte de ser ampliações da vida, isto é, frescos da existência pintados do ponto de vista da duração, entendida do ponto de vista do filósofo Henri Bergson – o correr do tempo uno e indivisível. Agustina consegue ver o passado à transparência do presente e antecipar o futuro, porque não se perde no microcosmos do tempo físico. Atinge o precário e o eterno para lá do teatro das aparências, sem se deixar encandear pela linearidade dos relógios. A sua leitura é, por conseguinte, uma experiência metafísica – ou poética.

Há meses, Eduardo Lourenço decidiu definir poesia através da leitura integral de uma página ao acaso de um romance de Agustina. Terminada a leitura, disse apenas: «isto é a poesia». Momento particularmente comovente porque se tratava de uma sessão em que o homenageado ( pela revista de poesia «Relâmpago») era o próprio Lourenço. Em qualquer página de Agustina encontraremos qualquer coisa que nos diz respeito e nos consola – nem que seja pelo riso, ou pela partilha do desespero. Cada voz está só e é única, sim – o mérito de Agustina começou por ser o da escuta, a que se habituou desde menina, beneficiando da liberdade concedida pela falta das expectativas dos adultos ácerca dela – havia um rapaz na casa, o seu irmão, e desse é que se esperavam as grandes coisas. Desenvolveu uma capacidade empática profunda com toda a espécie de criaturas, uma capacidade despida de preconceitos e julgamentos. Deixou-se fascinar pelas relações humanas que analisa ao microscópio, com o olhar clínico e cândido de quem está disposto a aceitar todas as surpresas que a vida traz.

Uma das injustiças que lhe foi feita foi o rótulo de «conservadora» ou mesmo «reaccionária» que criou um cerco de solidão em seu redor, prejudicando-lhe muito a merecida repercussão internacional. Algumas vozes, porém, ousaram furar este cerco, que chegou a ser feroz, antes do 25 de Abril. Uma dessas vozes lúcidas e corajosas foi a de José Saramago, que escrevia sobre Agustina, em Janeiro de 1968, na revista «Seara Nova», o seguinte: « Como é possível, resistindo e opondo-nos embora no plano das ideias e da sua prática, não ser submergido pela beleza torrencial desta escrita, que não tem igual na literatura portuguesa deste tempo? Como é possível ficar indiferente a certas bruscas iluminações que vão mais longe e mais fundo, no sentido do conhecimento de si e do outro, que todo o material de análise que comumente manuseamos? Como é possível não reconhecer e declarar que se há em Portugal um escritor onde habite o génio ( vá esta palavra, ainda que perigosa e equívoca) esse escritor é Agustina Bessa-Luís?».

Nenhum grande escritor pode ser um «conservador» ou um «revolucionário», porque o que faz um grande escritor é, antes de mais, esse dom de liberdade que não se compadece com classificações. Diz Olga Rodom, em As Fúrias (1977): «A liberdade é uma serpente que rasteja como a inveja primeiro, e depois açoita como a vingança». Sim, a liberdade açoita inexoravelmente as limitações mentais de cada época, expondo-as em carne viva. O pensamento de Agustina não se deixa pastorear, e é isso o que, muitas vezes, ainda hoje, não lhe perdoam – mesmo na hora da consagração, escamoteia-se-lhe o desassossego, a irreverência e a ultra modernidade. Agustina não é uma senhora de alento que escreve uns romances serenos sobre as gentes das margens do Douro. É, isso sim, uma prodigiosa intérprete das motivações humanas. Ninguém como ela entendeu e escreveu sobre o poder, a paixão, o desejo e os seus maravilhosos desastres. No seu último romance, A Ronda da Noite (2007), define com exactidão «os novos feudais»: «A verdade é que os novos feudais estavam a apoderar-se de regiões até aí proibitivas, mas que se mostravam preparadas para os receber. Os media, as revistas de lazer e laudatórias do grande empresário; e toda uma fileira da direita liberal, enfim verdadeiramente segura de que a hora tinha chegado.» E conclui: «Afinal a revolução não emancipara os pobres, os infelizes, só os tornara menos anónimos. Lamentavam-se como crucificados, mas faltavam os meios para os descer da cruz». Quem quiser compreender as engrenagens que movem Portugal e os portugueses, tem de ler Agustina. Está lá tudo, sobretudo o que ainda não se vê.

Não esqueço que uma das suas últimas intervenções públicas foi o apoio à lei da interrupção da gravidez. Logo no início de A Ronda da Noite, morre Patrícia Xavier, aos quarenta anos, em meados do século XX: «Não se podia imaginar que ela morrera dum aborto mal sucedido, mas foi assim. (...) Um aborto não era tão extraordinário e sobretudo depois dos quarenta anos as mulheres recorriam aos médicos para se recomporem dum acidente que, na verdade, tinham previsto mas não acautelado». O doutor Horácio soluçou de raiva sobre o corpo dela, porque Patrícia recorrera a ele «já desfeita por dentro como uma mulher de má vida às mãos de uma abortadeira vulgar, dessas que só falam dos netos lindos que têm e que respiram a virtude do matrimónio» Pobre doutor Horácio. «Tinha pena das mulheres, sempre a sangrar, sempre avariadas de dentro, carregando a cruz do sexo, maior que a de Cristo. Não perdoava que fossem tão mal feitas para o amor, com buracos a mais, sempre a desfazerem-se de medo, de sofrimento, e, no entanto, “prontas para outra”, batendo fortemente os tacões com a vitalidade das suas entranhas que até lhe saíam pelos olhos radiantes. E depois escreviam versos, as pobres coitadas! Todavia, quanto poder no sangue do seu ventre!»

Insisto em citar o seu último romance, não só porque o considero uma obra-prima, mas porque me parece que a fama de A Sibila (1954) acabou por curto-circuitar o entendimento da obra de Agustina. A figura poderosa da Sibila colou-se à autora e tornou-se um estereótipo de compreensão, preguiçoso e falso como todas as ideias-feitas. Ora se os livros iniciais de Agustina são já esplendorosos de sabedoria e notáveis pela reinvenção implosiva da língua e da arte de contar, os romances das duas ou três últimas décadas, à razão de um por ano – além dos volumes de crónicas e ensaios, igualmente importantes – levam esse esplendor a cumes nunca antes experimentados, filosofica e estilisticamente. A escrita tornou-se-lhe mais solta e clara. A própria Agustina o sentia, e dizia-me: «já não tenho que provar nada a ninguém». A intuição, a curiosidade e a experiência do mundo cresceram exponencialmente nela, ao longo do tempo.

Ninguém como ela é capaz de descrever a força erótica que rege o universo. Em A Quinta-Essência ( 1999) escreve: «O sexo é uma matéria inteligente e pode ter um efeito mortal». Contra as ideias comuns sobre a sexualidade dos homens e das mulheres, escreve: «O abismo do entendimento entre o homem e a mulher radica no facto de que para a mulher o sexo é uma verdade. Quanto ao homem, ele nunca encarou a verdade como qualquer coisa impossível de ser mudada.» E analisa: «O trabalho ocupa nas quedas eróticas um papel primordial. Em geral, quando se diz trabalho quer-se dizer falta de recursos para ser amado. Tudo gira em volta dum erotismo que não é descoberto senão quando já é demasiado tarde e as pessoas estão à beira da morte, estropiadas ou meio imbecis. E dizem que o trabalho as envelheceu e tornou num farrapo. Mas é o coração que foi batendo sem qualquer resultado; é o coração que abre sulcos na pele, cria verrugas, endurece as unhas». Em Prazer e Glória (1988) recordava: «Não há império maior do que o que se tem sobre os vícios dos outros». Em A Ronda da Noite, avisa: «A perfeição não é erótica. É o erro que é erótico e não a beleza». Os seus aforismos só formalmente são ocidentais – ou seja, vestidos de lógica e de uma coloquialidade reflectida. Interiormente, correspondem à cintilação imprevisível e amoral do haiku. Para lá deles, sobrevivem as suas inesquecíveis personagens. A que mais íntima se me tornou é Maria Pascoal, protagonista de Um Cão Que Sonha (1997), que dizia: «Nasci adulta, morrerei criança». É esse o trajecto de qualquer escritor digno desse nome, isto é: alguém que procure nas palavras o caminho doloroso da verdade, e que consiga preservar a inocência de mergulhar a fundo no seu contrário. Agustina fez isso, e muito mais. Ofereceu-nos o entendimento das múltiplas almas que cada existência comporta. E deu-nos a possibilidade da beleza, que é a coisa mais difícil, íntima, imperfeita e consoladora que existe.


(Nota: este texto foi escrito e publicado na revista comemorativa da 11º edição do encontro de escritores Correntes d'Escritas em Fevereiro de 2010 na cidade da Póvoa de Varzim. Agustina Bessa-Luís faz anos hoje- 15/10/2010)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Igor Oistrakh

April 27, 1931 - Odessa, Ukraine

The Ukrainian violinist (and conductor), Igor (Davidovich) Oistrakh (Russian: Игорь Ойстрах), is the son of the great violinist David Oistrakh. As a small boy he was taught to play violin, but his studies were interrupted and resumed only in 1943 under the guidance of Professor Pyotr Stolyarsky, an outstanding Soviet teacher. Later Igor finished as a brilliant pupil the Central Music School where his teacher was V. Merenbaum, and made his concert debut in 1948. His father David exercised the decisive influence on the development of the young artist's personality: it was under his guidance that Igor continued his studies at the Moscow Conservatory from 1949 to 1955 and took a post-graduate course. In 1949, at 18, Igor won the first prize at the International Violinists' Competition of the Youth and Student Festival in Budapest. The International Wieniawski Competition in Poznań brought him in 1952 a similar award.

Igor Oistrakh appears with unfailing success in the Soviet Union and abroad, inspiring enthusiastic press notices. His western debut took place at the Royal Albert Hall, London, and was followed by concert tours through the USA, Europe (Austria, Denmark, France, Britain, the GDR, Czechoslovakia), the USSR, Canada, South America, Japan and Australia. He has performed with the world's greatest orchestras under renowned conductors as Otto Klemperer, Reiner, Herbert von Karajan, Eugene Ormandy, Carlo Maria Giulini, Georg Solti, Lorin Maazell, Zubin Mehta, Seiji Ozawa, Rozhdestvensky and others, and his father, David Oistrakh. For 27 years, he played in a unique duo with his father, making several recordings together. Three times Igor was a participant of the festivals founded by Pablo Casals, who enjoyed their joint performances and highly apprlciated Soviet musician's skill. Igor has also given concerts with Yehudi Menuhin. The critics admire warm expressiveness of his violin, precision of his phrasing, his stern style, nobleness and virtuoso technique. Some critics even regard him as equal to his father in virtusity. He is noted for his lean, modernist interpretations. He has recorded for EMI, Deutsche Grammophon, Decca, RCA, Collins, Melodiya, and Art and Electronics.



(Igor with his father David Oistrakh)


Following his father's death in 1974, Igor Oistrakh continued the family tradition with his son Valery, also a prize winning concert violinist. Igor's wife, Natalia Zertsalova, is his duo pianist and together they have been awarded Honorary Membership in the Beethoven society in Bonn for their recording of the complete Beethoven Sonatas. They were also awarded the "Weiner Flotenuhr" by the Vienna Mozart Academy for their recording of the complete Mozart Violin Sonatas.

Since 1968 Igor Oistrakh has also conducted chamber and symphony orchestras as well as performing as a viola player. He is known as a conductor directing Soloists Ensemble of the Moscow Philharmonic Symphony Orchestra. Together they recorded Arcangelo Corelli's Concerti grossi, J.S. Bach's Brandenburg Concertos (BWV 1046-1051), W.A. Mozart's Slnfonla Concertante in E flat major for Violin and Viola and Serenade No.13 in G major for strings (Eine kleine Nachtmusik).

(Igor and your son Valery Oistrakh)

In 1958, Igor Oistrakh joined the faculty of the Moscow Conservatory in 1958, becoming a lecturer in 1965. Since 1996 he has held the post of Professor of the Royal Conservatory in Brussels. He was awarded the title of People's Artist of the USSR in February 1968, and became an Honorary Member of the Wieniawski Society in Poznan. Other awards and appointments include Fellow of the Royal College of Music, London, Presidency of the Russian section of the European String Teachers Association, honorary member of the Beethoven Society in Bonn, Honorary member of the Jascha Heifetz Society and the Ysaye Foundation, Belgium, Honorary President of the Cesar Franck Foundation in Belgium and member of the jury of the most prestigious violin competitions such as Tchaikovski, Queen Elisabeth, Wieniawski and Carl Flesch.
The asteroid 42516 Oistrach was named in his (and his father's) honour.



Three generations of great violinists, unqualified success.

Um texto de Pablo Neruda.

...Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ...

Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ...
Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ...
Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ...
Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ...

Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ...
E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ...

Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda ...

Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ...

Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ...

São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ...
Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas .

Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca mais,se viu no mundo ...

Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada...

Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma.

Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.

(Do livro "Confesso que Vivi — Memórias",´Pablo Neruda)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

AO EU POETA OBSCURO*

Meu caro eu, meu poeta obscuro, se as portas se fecham, acalma o coração que o Todo deseja. Deixa supurar o mar da fúria. Eu sou essa fúria espalmada, aquele caracol que de teu limbo escapa. Um ângulo da alma, um certo abismo que te chama. Mas não te deixes sorver por essa força que te toma. Aceita, escreve... E lembra-te: lesmas, abelhas, abismos não são propriamente aos quinze minutos de fama destinados.

Se a poesia te chama, empenha-te em colocá-la para fora com as ferramentas que te servem. E aos ouvidos que te pedem, fala...

Entra em bons termos com a mágoa. E que tua alma acolha mais e mais a dor dos elefantes...

Achega-te a mim, a tua secreta verdade...

Sente como é bom pernoitar no coração dos amigos que te acolhem, te apalpam. São eles teus termômetros, tuas asas.

Vai ao teu jardim, ama tuas flores, observa aquela luz que as ilumina e se transfigura em tua alma. A beleza são esses achados, um certo conciliar entre o sentido que enxerga e as inesgotáveis manifestações da alteridade. É o paradoxo encantado, ilusão que nos diz que não existimos sem o mundo, e este não vive sem nossos olhos. Expressa essa beleza que é essência, que ao espírito remete.

No mais, os dias passam, o sol diminui no ocaso seu passo. E tudo volta, com o novo dia, ao seu antigo hábito.

Ah, escreve para os elefantes. Dizem que eles não esquecem. Assim tua alma inteira irá se aquientando em tua casa...

Fernando Campanella



*Maravilhoso texto, do especial amigo, poeta, e professor mineiro, Ferando Campanella.
Enjoy.

domingo, 12 de setembro de 2010

A beleza da alma, sem limites...


[..]
"Naquela noite, no meu saco de dormir, no chão da cabana, sonhei que um castor enorme subia na minha jaqueta-travesseiro. Isso me acordou e eu senti alguma coisa movendo no meu cabelo e depois se retirando pro chão.No feixe de luz da minha lanterna, havia uma pequena ratinha de patas brancas e em sua boca um grande chumaço do que parecia ser meu cabelo. Ela saiu correndo pra um canto onde havia um braço de cadeira quebrado. Esperei no escuro e ela subiu de novo na minha cabeça e suas pequenas mãozinha rosadas e seus dentes cortaram o comprimento necessário de cabelo para aquele ninho. Voltei a dormir pensando o quanto era bom saber que o homem, a única verdadeira praga na Natureza teve, por fim, uma utilidade para ao menos uma "pessoinha" naquele vasto deserto."

Dr. Harry Lillie,
Médico americano de Dakota do Sul.


That night in my sleeping bag on the floor of the cabin, I dreamed a big beaver was climbing gently on to my jacket pillow. It woke me and I felt something moving at my hair, then retreating to the floor. In the beam of my torch, there was a little White Footed mouse; and in her mouth a great faggot of what looked suspiciously like my hair. She scampered off to where an old broken piece of armchair lay in a corner. I waited in the dark and she was back almost at once and up at my head, her tiny pink hands and teeth cutting the required lengths for that nest. I went to sleep again thinking it was so nice to know that man, the only true pest in Nature, was at last of some use to at least one little person in that vast wilderness.

Dr. Harry Lillie, 1975

"Natureza"


















"A natureza é bela e sábia, o homem por não respeitá-lá, torna-se mau e ignorante."

domingo, 29 de agosto de 2010

UNEXPECTED SUNFLOWERS


You radiant sunflowers that abound
on Thirtieth Street and Tenth Avenue
spectacular where no one would expect you,
but I know, my birthday comes around,
to look there for you lush on barren ground
with your coarse leaves and buds cut like beau-
tiful emeralds.

Let me pick a few
of these wildflowers native among abandoned
trucks and empty freightcars and warehouses
and bring them home and put them in a vase.
I cannot look away. Their symmetry
is Mediterranean and their energy
Northern, and each has the majesty
of the sun alone in the blue sky.


Paul Goodman,
by "Homespun of Oatmeal Gray
- Poems by Paul Goodman".
Vintage Books (Random House) New York, 1970.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Belo é Necessário


Neste mundo o lindo é necessário. Há mui poucas funções tão importantes como esta de ser encantadora. Que desespero na floresta se não houvesse o colibri! Exalar alegrias, irradiar venturas, possuir no meio das coisas sombrias uma transmutação de luz, ser o dourado do destino, a harmonia, a gentileza, a graça, é favorecer-te. A beleza basta ser bela para fazer bem. Há criatura que tem consigo a magia de fascinar tudo quanto a rodeia; às vezes nem ela mesmo o sabe, e é quando o prestígio é mais poderoso; a sua presença ilumina, o seu contato aquece; se ela passa, ficas contente; se para, és feliz; contemplá-la é viver; é a aurora com figura humana; não faz nada, nada que não seja estar presente, e é quanto basta para edenizar o lar doméstico; de todos os poros sai-lhe um paraíso; é um êxtase que ela distribui aos outros, sem mais trabalho que o de respirar ao pé deles. Ter um sorriso que - ninguém sabe a razão - diminui o peso da cadeia enorme arrastada em comum por todos os viventes, que queres que te diga? é divino.


Victor Hugo,
Excerto de 'Os Trabalhadores do Mar'

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Eduardo Hernández Asiaín



Eduardo Hernández Asiain
(La Habana, 17 de mayo de 1911 — Corella, Navarra,11 de Mayo de 2010 )

Violinista cubano, discípulo de Enrique Fernández Arbós y compañero de Ataúlfo Argenta, uno de los mejores violinistas del siglo XX. Sus interpretaciones de los grandes clásicos han destacado no solo por su técnica, sino por el sentimiento transmitido en su manera de tocar y de vivir la música.

Ha brillado especialmente por sus interpretaciones de las obras de Pablo Sarasate y por piezas clásicas como son las Sonatas para violín y piano de Johann Sebastian Bach.

Nace en La Habana en 1911, en el seno de una familia española. Siguiendo los pasos de su padre (compositor y violinista natural de Corella - Navarra España), se inicia en el aprendizaje del violín, en cuya interpretación ha llegado a alcanzar un relevante lugar que le sitúa entre los mejores violinistas del siglo XX.

Inicia sus estudios musicales a muy temprana edad y ofrece su primer concierto en público a los siete años.

A los catorce obtiene el primer premio de Violín en el Conservatorio Nacional de La Habana, siendo nombrado concertino de la Orquesta Sinfónica de La Habana.

En 1932 se traslada con su familia a Madrid, profundizando sus estudios con los maestros Arbós y Bordas.

Obtiene el premio extraordinario Pablo Sarasate en el Real Conservatorio de Música de Madrid. También logra galardones en el Certamen Internacional de Violinistas, organizado por Unión Radio; en el Concurso Nacional de Violinistas y el Concurso de Música de Cámara, promovidos por el Ministerio de Educación.

Pensionado por la Real Academia de Bellas Artes de Madrid, amplía sus estudios en el extranjero y ofrece numerosos conciertos de gran éxito en Europa y América.

A partir de 1954, actúa como solista con la Orquesta de la Sociedad de Conciertos Pasdeloup de París, Radiodifusión Francesa y Belga, Orquesta Nacional de España, Orquesta Sinfónica de Bilbao, Orquesta de Cámara de Madrid y Orquesta Sinfónica y de Cámara de San Sebastián, de la que es su creador.

En 1968 fue nombrado Primer Violín del Cuarteto Clásico de RTVE con el que realizó un gran número de conciertos y grabaciones, en España y en otros países.

Realiza giras por Estados Unidos de América, destacando su actuación con la Long Beach Symphony Orchestra de California, donde obtiene un gran éxito interpretando el Concierto para violín en Re de Tchaikovsky.

Don Eduardo Hernández Asiaín, murio el dia 11 de Mayo de 2010 en Corella, Navarra donde paso sus ultimos años.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Poema

(Photo by Fernando Campanella)

... os grilos agora tilintam
e a luz da lua
impregna as árvores de um bálsamo.
Meu amor, se possível me aguarda,
retorno a ti, clara a trilha
que agora aos meus olhos se abre.

(Fernando Campanella)

Laderzi's Gallery

Linda homenagem da querida amiga Leila Derzi, ao poeta Fernando Campanella, pela passagem de seu aniversário.Clique na foto para ler.

Obs:
Uma vez aberta uma foto individual, clique no lado direito do mouse e vá a
'Go full screen' (Tela grande) para melhor visualizar o belíssimo trabalho da querida amiga.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Arthur Rubinstein


Arthur Rubinstein
(Łódź,Polônia a 28 de janeiro de 1887 — Faleceu em Genebra, 20 de dezembro de 1982)
foi um pianista polonês e judeu, que é muito conhecido como um dos melhores pianistas virtuosos do século XX. Foi aclamado internacionalmente por suas perfomances de Chopin e Brahms.
Rubinstein começou a tocar piano muito cedo, com apenas três anos. Aos 6 anos, tocou em público pela primeira vez.


Entrou para o Conservatório de Varsóvia aos oito anos, onde foi aluno de Paderewski e Ludomir Rozyck. Prosseguiu seus estudos em Berlim com Heinrich Barth, apresentando um recital em 1900.
Em 1906 apresentou-se em Nova Iorque, como solista da Orquestra da Philadelphia. Volta a morar na Europa.
Em Paris, atua como professor de piano. Durante a 1ºGuerra Mundial, atua como intérprete militar em Londres. Apresenta-se em duo com o violinista Eugène Ysaye.
Em 1916 visita a Espanha, onde interpreta composições de Granados e Manuel de Falla. A Fantasia Bética, deste último, é dedicada à Rubinstein.
Em 1919 vem ao Brasil, e conhece Villa-Lobos. Interessa-se pelas modernas composições deste, e torna-se responsável pela divulgação de suas mais famosas composições.



Em sua homenagem, Villa-Lobos escreveu seu Rudepoema(1926).
Rubinstein também interpretava composições de seu compatriota e amigo Karol Szymanowski. Stravinsky dedicou-lhe os 3 Movimentos de Petruschka(1921) - considerada sua mais difícil obra para piano.
Em 1928,conhece Aniela Mlynarski, com quem viria a casar-se em 1932. A partir de então, renova sua técnica, e depois de algum tempo dedicado a intensivos estudos apresenta-se nos EUA em 1937.


Desde então, tem sua reputação de grande intérprete assegurada.
Nos anos da 2ºGuerra Mundial, muda-se para os Estados Unidos, e em 1946 obtém cidadania americana. Rubinstein apresentou-se em muitos países - As Américas, Europa, África, Ásia e Oceania - e tornou-se uma celebridade.
Suas gravações, sempre muito bem recebidas, revelam um extenso repertório: Chopin (integral das obras para piano), Schumann, Granados, Falla, Prokofiev, Villa-Lobos e Stravinsky, e música de câmara, além de concertos de Chopin, Brahms, Beethoven, Mozart,Schumann, Grieg, Tchaikovsky, Rachmaninoff e Saint-Säens.


Rubinstein revelava extrema modéstia quando falava de si próprio. Sua personalidade mostrava interesse não apenas em música, mas nos pequenos e refinados momentos de prazer que a vida oferece.
Sua última atuação pública deu-se em 1976, quando já estava com 89 anos, na sala de espetáculos londrina Wigmore Hall, onde tocara pela primeira vez quase 70 anos antes.


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Steven Hill


Hill was born Solomon Krakovsky ,February 24, 1922 in Seattle, Washington. After serving four-years in the Naval Reserve, Hill made his first New York stage appearance in Ben Hecht's A Flag is Born in 1946, which also featured a young Marlon Brando. Hill says his big break came when he landed a small part in the hit Broadway show Mister Roberts. "The director, Joshua Logan, thought I had some ability and he let me create one of the scenes," says Hill. "So I improvised dialog and it went in the show. That was my first endorsement. It gave me tremendous encouragement to stay in the business." Hill said this was a thrilling time in his life when fresh out of the service he played the hapless sailor Stefanowski. "You could almost smell it from the very first reading that took place - this is going to be an overwhelming hit," said Hill. "We all felt it, and experienced it and were convinced of it, and we were riding the crest of a wave from the very first day of rehearsals."

In 1947, Hill became a founding member of Lee Strasberg's Actors Studio alongside such other actors as Marlon Brando, Montgomery Clift and Julie Harris.
Hill made his film debut in 1950 in Lady Without a Passport. He then re-enlisted in the Navy in 1952 for two years and when he completed his service resumed his acting in earnest. Strasberg later said, "Steven Hill is considered one of the finest actors America has ever produced". When he was starting out as an actor, Hill sought out roles that had a social purpose. "Later I learned that show business is about entertaining," he says. "So I've had to reconcile my idealistic feelings with reality".


Hill was particularly busy in the so-called "Golden Age" of live TV drama, appearing in such prestigious video offerings as The Trial of Sacco and Vanzetti in 1960 earning him an Emmy nomination for his portrayal of Bartolomeo Vanzetti. "When I first became an actor, there were two young actors in New York: Marlon Brando and Steven Hill," said Martin Landau. "A lot of people said that Steven would have been the one, not Marlon. He was legendary. Nuts, volatile, mad and his work was exciting".
In 1961, Hill had an unusual experience when he appeared as Sigmund Freud on Broadway in Henry Denker's A Far Country portraying Freud at the age of 35. On April 12, 1961 Hill was stricken with a virus the night of a sold out performance for the Masters Children's Center of Dobbs Ferry. As a result the producers decided to cancel the performance just as the curtain was about to go up. Among the notables in the audience were Joseph P. Kennedy, Jack Benny and Richard Rodgers. The audience was invited to exchange its ticket stubs for other performances. The understudy was not ready to replace Hill, so Alfred Ryder, the play's director stepped into the role of Freud for one performance.
Hill's early screen credits include The Goddess and A Child is Waiting.


Hill was the original leader of the Impossible Missions Force, Dan Briggs in the series Mission: Impossible beginning in 1966. The phrase "Good morning, Mr. Briggs..." was a fixture early in each episode as it began a tape recording he retrieved which detailed the task he must accomplish, however he left the show in 1967 after the end of the first season. As one of the few Orthodox Jewish actors working in Hollywood, he made it clear in advance of production that he was not able to work on the Sabbath (i.e., sundown Friday to dusk Saturday), and that he would be leaving the set every Friday before sundown. However, despite Hill's advance warnings, the show's producers were unprepared for his rigid adherence to the Sabbath, and on at least one occasion Hill left the set while an episode was still in the midst of filming.

Hill was briefly suspended from the show near the end of the season, during the production of episode no. 23 (entitled Action!). The suspension was imposed after he refused to climb the rafters via a soundstage staircase, as was called for in the script. (This incident was unrelated to any religious observances of Hill's.) Consequently, Hill was written out of that episode, and when he returned to Mission: Impossible for the five remaining episodes of the season, his role was severely reduced. Hill was not asked to return for season 2, and was replaced as the show's star by Peter Graves.

Hill returned to work in the 1980s and 1990s, playing parental and authority-figure roles in such films as Yentl (1983), Neil Simon's Brighton Beach Memoirs, Heartburn (1986), and Billy Bathgate (1991). Hill also appeared as a mob kingpin in Raw Deal (1986), an action vehicle for Arnold Schwarzenegger.



Hill is best known as Adam Schiff in the NBC TV drama series Law & Order, a part that he played for ten seasons (1990–2000). Hill's character is loosely modeled after the real district attorney of New York, Robert Morgenthau and it is reported that Morgenthau was a fan of the character. Hill says playing Adam Schiff is the hardest role he's ever had because of all the legal jargon he has to learn. "It's like acting in a second language," says Hill. Hill adds that he agrees with the show's philosophy. "There's a certain positive statement in this show," Hill says. "So much is negative today. The positive must be stated to rescue us from pandemonium. To me it lies in that principle: law and order." Hill earned another Emmy nomination for Best Supporting Actor In a Dramatic Series in 1997. At the time of his departure, Hill was the longest-serving cast member. Along with Law & Order castmate Sam Waterston, Hill has also appeared in commercials for T.D. Waterhouse, an investment brokerage.

Appearing in the play A Far Country in 1961 had a profound effect on Hill's later life. In one scene, a patient screams at Freud, "You are a Jew!"; this caused Hill to think about his religion. "In the pause that followed I would think, 'What about this?' I slowly became aware that there was something more profound going on in the world than just plays and movies and TV shows. I was provoked to explore my religion". He was inspired by the late Skverrer Rebbe, to adhere to strict Orthodox Judaism, observing a kosher diet, praying three times a day, wearing a four-cornered fringed garment beneath his clothes, and strictly observing the Shabbat. This made Hill unavailable for Friday night or Saturday matinee performances and effectively ended his stage career and closed many roles to him in the movies, most notably The Sand Pebbles.



Today is 88 years old.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Fred Astaire 10/05/1899


Fred Astaire, nome artístico de Frederick Austerlitz
(Omaha, 10 de Maio de 1899 — Los Angeles, 22 de Junho de 1987) foi um ator e dançarino estado-unidense.
Estaria comemorando hoje 111 anos de idade.

Antes de Fred Astaire estrear no cinema, os dançarinos apareciam nos filmes apenas "em partes": os pés, as cabeças e os torsos eram compostos na sala de edição. Astaire, por sua vez, exigia ser filmado de corpo inteiro. Para isso eram necessários longos ensaios - certa vez chegou a três meses com dez horas diárias de trabalho, com repetições feitas passo a passo e movimentos de câmara acompanhando a coreografia. Em seus filmes, Astaire conseguiu dar nova emoção a dança, fosse ela banal ou repleta de tragicidade.Sua interpretação enriquecia-se pelo que James Cagney chamava de "o toque do vagabundo". Sempre trajado a rigor, seu charme tornou-se lendário.



Fez sua primeira apresentação no palco aos cinco anos com a irmã Adele, que o acompanhava em revistas musicais nos anos 1920, em Londres. Estreou no cinema em 1915, fazendo uma pequena ponta e em 1933 apareceu ao lado de Joan Crawford em Dancing lady. Nesse mesmo ano atuou no primeiro de uma série de dez filmes ao lado de Ginger Rogers. Os dois formavam uma parceria impecável (Ele dava classe a ela, ela dava sex-appeal a ele, explicou certa vez um diretor de estúdio). Hollywood tinha razão ao lhe conferir um Oscar especial em 1949, por sua contribuição à técnica dos musicais no cinema. Ginger Rogers, claro, foi quem lhe entregou o prêmio.

Estudioso de dança e sempre buscando novos passos e ritmos, aos 17 anos conheceu o compositor George Gershwin e a amizade dos dois teria um impacto profundo na carreira de ambos. Durante os anos 1920 e começo dos anos 1930, Astaire e Adele se apresentaram na Broadway e em palcos londrinos justamente em musicais compostos por Gershwin, entre eles Lady Be Good (1924), Funny Face (1927), e A Roda da Fortuna (1931). Quando Aldele se casou em 1932, a dupla se separou de vez.


Em 1933 casou-se com Phyllis Potter, que morreu em 1954 com quem teve dois filhos, Fred e Ava. Ele deixou de ser dançarino em 1968 para passar a interpretar papéis dramáticos. Fora dos estúdios não gostava de dançar e dizia que as danças de salão o entediavam. Grande fã de corrida de cavalos, voltou a se casar em 1980 com a jóquei Robbin Smith, 35 anos mais nova que ele.

O arquiteto americano Frank O. Gehry projetou um edifício em Praga, República Tcheca, em homenagem ao casal Fred & Ginger. O edifício toma a forma do casal e parece mostrá-los em plena dança.



Reza a lenda que no seu primeiro teste para o cinema ele foi avaliado da seguinte maneira: Não sabe interpretar, é ligeiramente calvo e sabe dançar. Muitos anos mais tarde, a única pessoa que podia rivalizar com seu talento, Gene Kelly, declarou: "A dança em filmes começou com Fred Astaire".

Mesmo no começo de carreira, Astaire tinha liberdade total para desenvolver suas coreografias e, num feito quase inédito na época, recebia uma porcentagem da bilheteria. Inovou a maneira de se filmar cenas musicais exigindo que a câmera ficasse parada ("ou os dançarinos giram ou a câmera", dizia ele) e também fazendo a música e a dança casar com o enredo do filme.

Em 1939, Astaire deixou a RKO e passou a agir como freelancer dançando com Eleanor Powell em Broadway Melody, de 1940, com Bing Crosby em Holiday Inn, de 1942 e Romance Inacabado, de 1946, onde cantou a música que mais ficaria atrelada à sua figura, Puttin' on the Ritz. Nessa fase, apareceu também ao lado de Rita Hayworth, Lucille Ball e na única parceira com Gene Kelly no filme Ziegfeld Follies, em 1946. Neste mesmo ano, anunciou sua aposentadoria e foi cuidar de suas duas grandes paixões: fundou o Fred Astaire Dance Studio (que vendeu em 1966) e passava o tempo em corrida de cavalos.



Entretanto em 1948, foi chamado para substituir Gene Kelly, que estava machucado, em Desfile de Páscoa, contracenando com Judy Garland e Ann Miller. Nos anos 50, apareceu em inúmeros filmes musicais, com destaque para Núpcias Reais, de 1951 (onde literalmente sobe as paredes em uma cena), A Roda da Fortuna, de 1953, e Meias de Seda, 1957, ambos com Cyd Charisse, e ainda Cinderela em Paris, com Audrey Hepburn.


Finalmente, em 1959, Astaire se aposentou dos filmes musicais e fez sua primeira aparição em uma atuação dramática no filme A Hora Final, sobre os efeitos de uma hecatombe nuclear. Acabou indo dançar na televisão e seu programa An Evening with Fred Astaire, que ganhou nove prêmios Emmy somente na temporada de estréia. Continuou a atuar mesmo na terceira idade e fez pontas em Inferno na Torre, de 1974 (recebendo uma indicação ao Oscar por seu papel), Era uma vez em Hollywood, um documentário sobre os anos clássicos da dança no cinema, e no cult trash Os Incríveis Dobbermans, de 1976. Sua última aparição foi em Histórias de Fantasmas ao lado de dois outros grandes monstros do cinema antigo, Melvyn Douglas e Douglas
Fairbanks Jr.



Fred Astaire morreu de pneumonia em junho de 1987. Pontuou suas rotinas de dança com graça, elegância, leveza e originalidade. Perfeccionista ao extremo, exigia muitos ensaios e inúmeras refilmagens de cena, tanto que no filme Imagine, de John Lennon, fez uma aparição-surpresa que consistia simplesmente em conduzir Yoko Ono para dentro de um prédio, mas Astaire quis fazê-la duas vezes para ficar bom. Deixou como legado sua dança e o indefectível fraque, sempre acompanhado de uma cartola. Um estilo que dificilmente aparecerá de novo.




quarta-feira, 5 de maio de 2010

Manuel Maria Ponce


Manuel María Ponce Cuéllar
(8 December 1882 – 24 April 1948)
was a Mexican composer active in the 20th century. His work as a composer, music educator and scholar of Mexican music connected the concert scene with a usually forgotten tradition of popular song and Mexican folklore. Many of his compositions are strongly influenced by the harmonies and form of traditional songs.
Born in Fresnillo, Zacatecas, Ponce moved with his family to the city of Aguascalientes only a few weeks after his birth and lived there until he was 15 years old.

He was famous for being a "musical prodigy"; according to his biographers, he was barely four years of age when, after having listened to the piano classes received by his sister, Josefina, he sat in front of the instrument and interpreted one of the pieces that he had heard. Immediately, his parents had him receive classes in piano and musical notation.

In 1901 Ponce entered the National Conservatory of Music, already with a certain prestige as a pianist and composer. There he remained until 1903, the year in which he returned to the city of Aguascalientes. This was only the beginning of his travels. In 1904 he traveled to Italy for advanced musical studies at the School of Bologna.

He studied in Germany as a pupil of Martin Krause at the Stern conservatory in Berlin between 1906 and 1908.

After his years abroad, Ponce returned to Mexico to teach piano and music history at the National Conservatory of Music from 1909 to 1915 and from 1917 to 1922. He spent the intervening years of 1915 to 1917 in Havana, Cuba.

In 1912 he composed his most famous work "Estrellita" (little star), which is not a normal love song, as is usually thought, but "Nostalgia Viva" (live nostalgia).



That same year, Ponce gave in the "Arbeau Theater" a memorable concert of Mexican popular music which, though it scandalized ardent defenders of European classical music, became a landmark in the history of the national song.

Heitor Villa-Lobos (1887-1959), who met Ponce in Paris in the 1920s, wrote
“ I remember that I asked him at that time if the composers of his country were as yet taking an interest in native music, as I had been doing since 1912, and he answered that he himself had been working in that direction. It gave me great joy to learn that in that distant part of my continent there was another artist who was arming himself with the resources of the folklore of his people in the struggle for the future musical independence of his country. [1] ”

With valuable activity promoting music of the country and writing melodías like "Estrellita", "A la orilla de un palmar", "Alevántate", "La Pajarera", "Marchita el Alma" and "Una Multitud Más", Ponce gained the honorific title Creator of the Modern Mexican Song. He was also the first Mexican composer to project popular music onto the world stage: "Estrellita", for example, has been part of the repertoire of the main orchestras of the world and countless singers, although quite often the interpreter ignores the origin of the song as well as its author.

In 1947 he received the National Science and Arts Prize.

He was married to Clementina Maurel, next to whom he died in Mexico City. His body was buried in the Roundhouse of the Illustrious Men in the Pantheon of Dolores in Mexico City. In his honor there is a board of recognition by the state of Aguascalientes at the base of the column of The Exedra, next to the fountain from a spring dedicated to this musical poet, in the city of Aguascalientes where he grew up and first studied music.

Ponce wrote music for solo instruments, chamber ensembles, and orchestra. His piano and guitar works outnumber those dedicated to other solo instruments within the set of pieces we know.

An important group of Ponce's works were previously unknown to the public, as self-proclaimed heir Carlos Vázquez, a Mexican piano performer and educator who studied with Ponce, kept most of the original manuscripts in his possession. Most of them were finally donated to the National School of Music (UNAM) in Mexico City, as an analytic catalogue of his works could still be published.

One of Ponce's melodies still heard today in various arrangements is "Estrellita" (1912).






Bibliography / Sources

* Corazón Otero: Manuel M. Ponce y la guitarra, Mexico 1980. First published in English by Musical New Services Limited, UK in 1983, 1994 ISBN 0-933224-84-2
* "Andrés Segovia, Manuel M. Ponce, Miguel Alcázar, Peter Segal: "The Segovia - Ponce Letters", Columbus, OH, Editions Orphée, 1989 ISBN 0-936186-29-1
* Ricardo Miranda Pérez, Grove Music Online