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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

'Flor de Lótus'



Em meio ao lodo.
No fundo do lago,
Ela quer brilhar...
Esquecida no limbo
À beira do rio
Ela quer nascer...
Lentamente a respirar,
No sol da manhã
Ela quer luzir...
Milagre!
Mil pétalas, mil lágrimas
Surgem da lama...
A flor de lótus
Brota no pântano
Ela quer viver...

Djalma Lofrano Filho
(São Paulo)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

À LÁPIS, O DESENHO HEDÔNICO - Uma crônica de Jairo De Britto -


Caminho ao longo do braço esquerdo do rio que corre em meu peito, embora um lago tranqüilo se ofereça aos meus olhos insones.
Caminho pelos dias afoitos, noites insolentes, madrugadas frias que, ainda assim, me fazem transpirar em pleno silêncio. Leio, releio, escrevo, reescrevo, corto, recorto, releio - até aquém chegar daquilo que pretendo doutra forma dizer.
Sim, outras e outras e tantas formas, é o que procuro. Para que  sílabas, palavras e parágrafos não se limitem às estreitas fronteiras da comum escritura. Para invadir seus grandes olhos com todos os sons e cio de cada caro fonema.
“Escrever (não é só, como já foi dito), uma forma de falar sem ser interrompido”.
Escrever é para Viver, ou sobreviver, sabendo que tal forma de Ser não foi escolhida. É o Presente: estar e ser – um flagrante e sempre inédito estarrecer!
Secular amanuense, de ávidos e áridos tempos - quando, afogados em imagens tantas, meus olhos sucumbíam, eu distraio mulheres, homens e crianças, enquanto me entrego a lembranças d’além da infância; de outras margens dos rios e oceanos em que naveguei.
Sem esquecer de dizer que, perdido, às margens de muitas laudas, também fiquei.  
Saber que você dorme, entregue a sonhos infantes, às vezes eróticos, em nossa cama, aguça meu olfato e paladar. Ser o homem a velar seu sono, em porto seguro, suscita lembranças outras, de terras e tempos tão distantes.
Ainda que "nau à deriva", aqui, seja o mais plausível dizer.
Ainda que ao menos saiba permitir que a madrugada se estenda, como naquela tarde  de sépia e aquarelas. Até que a manhã, com seu hálito de aurora e seus hábitos de velha senhora, se imponha sem mais delongas ou quaisquer pretensas cerimônias.

Sim , como naquela em que o jovem poeta, que adormeceu no gramado do campus, e abriu os olhos. Sobre eles, outros fitos: azuis e delicados.
Diamantes, eles. Apenas comparáveis à visão seguinte, quando os meus pousei sobre o caderno da linda jovem, que havia deles roubado tudo, num silente exercício de juvenil Amor Desenhado, estendido além dos olhos; rosto afora.
Quando notou-me, surpreso e maravilhado, disse-me noutra língua:
“Algo de mais maroto e lascivo há em seu rosto. Mas adoro seus longos cílios. Veja: terminei meu trabalho anual enquanto você dormia ao meu lado. Sei que o professor vai gostar. Sei que irá para a exposição anual dos melhores...”
 A Amizade não é um sentimento. É bem definida e definitiva: é o sentimento!
E tão grande e avassalador; tão aconchegante, que deve fazer inveja ao Amor. Quando se encontram, formam a mais sublime e cúmplice orquestra a executar a carinhosa Sinfonia da Gratidão...
Tudo brotado em clara selva de piano, oboé, sax e sexo, seguida de corpos em repouso dileto.
A festa e farra dos amantes, em qualquer idade, é como a Música; como os ritmos que embalam, acalantam e embrulham meus dias e noites.
Como um infindo e sensual Lundu. Como aquele atrevido Alarido Cigano - estaiado, a sustentar enormes fogueiras com danças, canções, cores, cartas, ouro, fitas e fogo.
Tudo ao Luar Cheio – a fantasia que apascenta a soberba do mítico Dragão Chinês. Este, que em libertina tradução Ocidental, não passa (schüller) d'um “Tigre de Papel”  ! 

Jairo De Britto, em "Verdes Crônicas "
Vitória (ES), 17 de Dezembro de 2011


sábado, 14 de janeiro de 2012

Albert Schweitzer

Aniversário de um dos grandes homens que por nosso planeta passaram...
Albert Schweitzer.


(Kaysersberg, 14 de janeiro de 1875 — Lambaréné, Gabão) 4 de setembro de 1965)

''O mundo tornou-se perigoso, porque os homens aprenderam a dominar a natureza antes de se dominarem a si mesmos.''
Albert Schweitzer


'A nossa civilização está condenada porque se desenvolveu com mais vigor materialmente do que espiritualmente. O seu equilíbrio foi destruído.'
Albert Schweitzer


''Só são verdadeiramente felizes aqueles que procuram ser úteis aos outros.''
Albert Schweitzer


''A quem me pergunta se sou pessimista ou otimista, respondo que o meu conhecimento é de pessimista, mas a minha vontade e a minha esperança são de otimista.''
Albert Schweitzer


''Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes.''
Albert Schweitzer


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Foi um teólogo, músico, filósofo e médico alemão, organista interprete de Bach, nascido na Alsácia, então parte do Império Alemão (atualmente, uma região administrativa francesa).

Formou-se em teologia e filosofia na Universidade de Strasburgo, onde, em 1901, o nomearam docente. Tornou-se também um dos melhores intérpretes de Bach e uma autoridade na construção de órgãos.

Aos trinta anos, gozava de uma posição invejável: trabalhava numa das mais notáveis universidades europeias; tinha uma grande reputação como músico e prestígio como pastor de sua Igreja. Porém, isto não era suficiente para uma alma sempre pronta ao serviço. Dirigiu sua atenção para os africanos das colônias francesas que, numa total orfandade de cuidados e assistência médica, debatiam-se na dura vida da selva.

Em 1905, iniciou o curso de medicina, e seis anos mais tarde, já formado, casou-se e decidiu partir para Lambaréné, no Gabão, onde uma missão necessitava de médicos. Ao deparar-se com a falta de recursos iniciais, improvisou um consultório num antigo galinheiro e atendeu seus pacientes enfrentando obstáculos como o clima hostil, a falta de higiene, o idioma que não entendia, a carência de remédios e instrumental insuficiente. Tratava de mais de 40 doentes por dia e paralelamente ao serviço médico, ensinava o Evangelho com uma linguagem apropriada, dando exemplos tirados da natureza sobre a necessidade de agirem em beneficio do próximo.

Com o início da I Grande Guerra, os Schweitzer foram levados para a França, como prisioneiros de guerra. Passaram praticamente todo o período da guerra confinados num campo de concentração. Nesse período, Albert escreve sobre a decadência das civilizações.

Com o final da guerra, retoma seus trabalhos e, ante a visão de um mundo desmoronado, declara: “Começaremos novamente. Devemos dirigir nosso olhar para a humanidade”.

Realiza uma série de conferências, com o único intuito de colher fundos para reconstruir sua obra na África. Torna-se muito conhecido em todos os círculos intelectuais do continente, porém, a fama não o afasta dos seus projetos e sonhos.

Após sete anos de permanência na Europa, parte novamente para Lambarené. Dessa vez acompanhado de médicos e enfermeiras dispostos a ajudá-lo. O hospital é levantado numa área mais propícia, e com o auxílio de uma equipe de profissionais, Schweitzer pode dedicar algumas horas de seu dia a escrever livros, cuja renda contribuía para manter os pavilhões hospitalares.

Extasiou o mundo com sua vida e sua obra, e em 1952, recebe o Prêmio Nobel da Paz, como humilde homenagem a um “Grande Homem”.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sin palabras...



JAMES JOYCE



(Dublin, 2 de fevereiro de 1882 — Zurique, 13 de janeiro de 1941)

Não te cansaste do ardor trilhado,
Fulgor do decaído serafim?
Não lembre os dias encantados!

Teu olhar tem meu coração queimado
E tens até sua vontade enfim.
Não te cansaste do ardor trilhado?

Acima das chamas louvores elevados
Ao longo dos oceanos assim.
Não lembre os dias encantados!

Nosso rompido pranto angustiado
Sobe tal um hino – sem fim.
Não te cansaste do ardor trilhado?

Quando em sacrifícios mãos elevadas
O cálice transborda sobre mim.
Não lembre os dias encantados.

E ainda fixamente tens olhado
Com gestos lânguidos para mim!
Não te cansaste do ardor trilhado?
Não lembre os dias encantados.


James Joyce
Trad.by leonardo de magalhaens


Poem found in the novel:
'A PORTRAIT OF A ARTIST AS A YOUNG MAN'
(1904)

Are you not weary of ardent ways,
lure of the fallen seraphim?
Tell no more of enchanted days.

Your eyes have set man's heart ablaze
And you have had your will of him.
Are you not weary of ardent ways?

Above the flame the smoke of praise
Goes up from ocean rim to rim.
Tell no more of enchanted days.

Our broken cries and mournful lays
Rise in one eucharistic hymn.
Are you not weary of ardent ways?

While sacrificing hands upraise
The chalice flowing to the brim,
Tell no more of enchanted days.

And still you hold our longing gaze
With languorous look and lavish limb!
Are you not weary of ardent ways?
Tell no more of enchanted days.

James Joyce

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James Augustine Aloysius Joyce (Dublin, 2 de fevereiro de 1882 — Zurique, 13 de janeiro de 1941) foi um romancista, contista e poeta irlandês expatriado. É amplamente considerado um dos autores de maior relevância do século XX. Suas obras mais conhecidas são o volume de contos Dublinenses/Gente de Dublin (1914) e os romances Retrato do Artista Quando Jovem (1916), Ulisses (1922) e Finnegans Wake (1939) - o que se poderia considerar um "cânone joyceano". Também participou dos primórdios do modernismo poético em língua inglesa, sendo considerado por Ezra Pound um dos mais iminentes poetas do imagismo.

Embora Joyce tenha vivido fora de seu país natal pela maior parte da vida adulta, suas experiências irlandesas são essenciais para sua obra e fornecem-lhe toda a ambientação e muito da temática. Seu universo ficcional enraíza-se fortemente em Dublin e reflete sua vida familiar e eventos, amizades e inimizades dos tempos de escola e faculdade. Desta forma, ele é ao mesmo tempo um dos mais cosmopolitas e um dos mais particularistas dos autores modernistas de língua inglesa

sábado, 31 de dezembro de 2011

Último comentário do ano, dedicado a essa grande personalidade que foi, SIMON WISENTHAL - que faria hoje 110 anos.

(Buczacz, 31 de dezembro de 1908 — Viena, 20 de setembro de 2005)

"Sou dedicado ao meu trabalho pelo privilégio de estar vivo"

Simon Wisenthal


Uma das personalidades mais importantes de nosso tempo, Simon Wiesenthal dedicou sua vida a documentar com tenacidade e persistência os crimes do Holocausto e a desmascarar e entregar à justiça os criminosos de guerra ainda livres.



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Fundador do Centro Judaico de Documentação, em Viena, ajudou a capturar cerca de 1.100 criminosos de guerra nazistas, entre eles Adolf Eichmann, o carrasco que planejou o extermínio dos judeus.



Wiesenthal recebeu mais de uma centena de prêmios e condecorações, entre os quais a “Medalha Presidencial da Liberdade”, maior condecoração civil dos Estados Unidos, oferecida por Bill Clinton, em 2000; e o “World Tolerance Award”, outorgado para premiar seu compromisso com a justiça, a tolerância e a paz.



Também foi homenageado por movimentos de resistência de vários países europeus, recebeu “Medalhas da Liberdade” na Holanda e em Luxemburgo, e a Medalha de Ouro do Congresso americano. Foi nomeado Cavalheiro da Legião de Honra, na França, e seu trabalho em prol dos refugiados foi reconhecido pelas Nações Unidas.



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Sua vida

Simon Wiesenthal nasceu em 31 de dezembro de 1908, em Buczacz, na Galícia, então parte do Império Austro-húngaro, hoje Lvov, na Ucrânia. Recusado pelo Instituto Politécnico de sua cidade natal pelas cotas restritivas a alunos judeus, fez seus estudos na Universidade de Praga, onde se formou em Arquitetura, em 1932.



Em 1936 casou-se com Cyla. Trabalhava, então, em um escritório de arquitetura. Em 1939 a Alemanha e a União Soviética assinaram um pacto de não-agressão mútua e dividiram entre si a Polônia. O exército russo ocupava Lvov, promovendo as famosas purgas dos elementos “burgueses”: especificamente dos comerciantes, pequenos industriais e outros profissionais judeus. Seu padrasto foi preso e morreu na prisão; seu meio-irmão foi baleado; ele perdeu o trabalho e tornou-se mecânico em uma fábrica de molas para camas. Wiesenthal salvou-se e à sua família da deportação para a Sibéria subornando um comissário de polícia.




Quando em 1941 os alemães ocuparam Lvov, ele e Cyla foram enviados a um campo de trabalhos forçados, cujos prisioneiros cuidavam da manutenção da rede ferroviária. No ano seguinte, a máquina terrível do genocídio nazista estava em pleno andamento e Simon e Cyla haviam perdido 89 membros de sua família, entre eles a mãe de Simon. O tipo físico de Cyla – loira de olhos azuis – permitia que ela passasse por ariana, e Simon fez um acordo com a resistência polonesa: trocou mapas ferroviários detalhados, feitos por ele mesmo, por documentos falsos e um salva-conduto de saída do campo para a mulher, que passou a viver em Varsóvia como “Irene Kowalska”.



Ele conseguiu fugir em 1943, mas foi recapturado no ano seguinte e enviado novamente ao campo de Janovska. Com o avanço do Exército Vermelho, para evitar que fossem enviados ao front, as SS decidiram manter vivos os 34 prisioneiros que ainda restavam dos 149 mil que havia inicialmente no campo. Durante a marcha de retirada rumo ao Ocidente, que passou pelo campo de Buchenwald e terminou em Mauthausen, no norte da Áustria, pouquíssimos prisioneiros sobreviveram.




Quando, em 5 de maio 1945, o campo de Mauthausen foi libertado pelos americanos, Simon pesava menos que 50 quilos. Assim que recuperou suas forças, começou a reunir provas das atrocidades cometidas pelos nazistas para a seção dos crimes de guerra do exército americano. Além desse trabalho, dirigia o Comitê Judaico da Áustria, uma organização assistencial beneficente.


No final de 1945, Simon e Cyla se reencontraram e se reuniram novamente, após anos acreditando que o outro morrera. Um ano depois, nasceu sua filha Pauline.






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Pesquisa: Site Morashá.
Fotos: Internet



Morto aos 96 anos, foi sepultado em Israel, por decisão da comunidade hebraica internacional.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fotografia de Warllen Silva


Vencedor do premio' Wedding Awards 2011'
Subcategoria: vencedor(a)/fotógrafo(a):
*Emoção: Warllen Silva.


*Clique na fotografia para visualiza-la em tamanho grande.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Poema de NELLY SACHS


TERRA DE ISRAEL

Não cantos de luta vos vou eu cantar
Irmãos, expostos ante as portas do mundo.
Herdeiros dos salvadores da luz, que da areia
arrancaram os raios enterrados
da eternidade.
Que nas mãos seguraram
astros cintilantes como troféus de vitória.

Não canções de luta
vos vou eu cantar
Amados,
só estancar o sangue
e as lágrimas, que gelaram nas câmaras da morte,
degelá-las.

E buscar as lembranças perdidas
que rescendem proféticas através da Terra
e dormem sobre a pedra
em que os canteiros dos sonhos enraízam
e a escada da nostalgia
que ultrapassa a Morte.

(in Poemas de Nelly Sachs, tradução de Paulo Quintela, Portugália editora, 1967 - original de Terra de Istrael / Land Israel, 1951)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Henryk Szeryng


Henryk Szeryng (Żelazowa Wola, 1918 - Kassel, 1988) foi um renomado violinista, pedagogo, filantropo e diplomata judeu, da Polônia, tendo-se tornado mais tarde cidadão mexicano.

Era filho de um rico industrial, e com três anos já começava a ter lições de piano de sua mãe. Com sete anos escolheu o violino como seu instrumento. Seu primeiro professor foi Maurice Frenkel. Deu seu primeiro concerto em 1933, que teve tão grande sucesso que imediatamente foi contratado para uma tournée mesmo sendo ainda um estudante. Ouvindo-o nesta ocasião, Bronislaw Huberman recomendou que se aperfeiçoasse com Carl Flesch. Mais tarde continuou seus estudos com Jacques Thibaud e Gabriel Bouillon no Conservatório de Paris, recebendo o Primeiro Prêmio em 1937, o que o inseriu definitivamente na escola francesa de violino. Também estudou composição com Nadia Boulanger, e através dela conheceu figuras importantes como Heitor Villa-Lobos, Alfred Cortot, Manuel Ponce, Igor Stravinsky e Maurice Ravel.


Na II Guerra Mundial foi alistado pelo governo polonês no exílio como oficial de ligação e intérprete, dando mais de 300 concertos para as tropas aliadas na Europa, África e América. Em 1942 encontrou-se com o premier polonês, refugiado no México, que buscava asilo para mais de 4 mil poloneses. Sensibilizado pela acolhida mexicana aos refugiados, voltou ao México em 1943, quando o governo local lhe ofereceu o posto de diretor do departamento de cordas da Universidade Nacional do México, a fim de que reorganizasse a escola mexicana de violino. Por seu trabalho cultural recebeu a cidadania mexicana em 1948, foi indicado em 1956 como Embaixador da Cultura, e em 1970 Conselheiro Musical Especial da delegação permanente do México junto à UNESCO, sendo o primeiro artista a viajar com passaporte diplomático. Dominava oito idiomas.


Foi um dos violinistas que mais deixaram gravações. Redescobriu a partitura do terceiro concerto de Paganini e foi o primeiro a registrá-lo em disco. Diversos compositores escreveram peças para ele, incluindo Manuel Ponce, Camargo Guarnieri, Xavier Montsalvatge e Julian Carrillo. Seu repertório ia de Bach até os contemporâneos. Recebeu vários prêmios por suas gravações, entre eles o Grand Prix du Disque (seis vezes), o Grammy Award, o Wiener Flötenuhr, o Prêmio Edison e o Golden Record. Entre os títulos recebidos se contam a Ordem Polonia Restituta da Polônia, o grau de Comendador da República Italiana, o de Oficial da Coroa da Bélgica e da Legião de Honra da França, o de Comandante da Ordem de Alfonso X o Sábio, da Espanha, e da Ordem de São Carlos, de Mônaco.

Seus instrumentos também eram célebres, e os doou quase todos, retendo apenas o Guarnerius Leduc e o Pierre Hel 1935, uma cópia do Guarnerius Le Roi Joseph. Possuiu o Stradivarius Hercules que pertencera a Eugene Ysaye, e depois o doou à cidade de Jerusalém para que fosse usado nos concertos da Filarmônica local; doou seu Stradivarius Villaume, uma cópia do Stradivarius Messias, ao príncipe Rainier III de Mônaco, e seu Guarnerius Sancta Theresia foi dado de presente à cidade do México, e outros instrumentos foram deixados para seus alunos.

Henryk Wieniawski


BRIEF BIOGRAPHY

Henryk Wieniawski was born on 10 July 1835 in Lublin. Wieniawski owes his early introduction to the world of music to his mother, Regina, a professional pianist and the daughter of a Warsaw physician. His mother was also the driving force behind his musical training and subsequent development into a violin child prodigy. At the age of five he began violin lessons and three years later was admitted to the Paris Conservatory, overcoming the obstacles of being underaged and of foreign nationality. After completing with gold medal the accelerated course of study at the Conservatory he remained in Paris perfecting his technique under the care of professor Joseph L.Massart. It was then that he met in his mother's Paris salon of the two most famous Polish emigrees: Adam Mickiewicz (poet) and Fryderyk Chopin. Wieniawski's first, somewhat childish,compositions were written during that time (he was thirteen years old).


He returned to the Paris Conservatory and was joined by his brother Josef, where both studied composition until 1850. Wieniawski then embarked upon the unrelenting schedule of concert tours and performances which he was to continue almost throughout his life. While traveling he met Belgian violinist and composer Henri Vieuxtemps; a fellow Pole, Stanislaw Moniuszko, to whom he dedicated Allegro de Sonate op.2; Karol Lipinski, another Polish violin virtuoso and competitor of Paganini; also Robert Schumann and Anton Rubinstein.



The latter was instrumental in securing for Wieniawski a three year contract as the soloist of the court and court theaters in St. Petesburg. Wieniawski's arrangement in St Petersburg was later extended three more times (each time on terms more favorable to the artist) so that he resided there with his family from 1860 until 1872. While fulfilling the terms of his contract he also became involved as a teacher in the Russian Music Society run by his friend Anton Rubinstein and directed a newly founded string quartet. Through these various means he exerted a lasting influence on the development of the Russian violin school. The terms of the contract allowed Wieniawski extensive travel time during the spring and summer when he continued touring Europe on a busy schedule of concerts and social appearances.


In 1872, after his last contract in St. Petersburg had run its course, he resumed the life of the traveling virtuoso with a two-year tour of North America. Upon his return in 1875 he accepted a position of the professor of violin at the Brussels Conservatory but still maintained an extensive calendar of traveling and perfoming engagements. Since his North American tour, which exhausted him, his health continued to deteriorate. He died of an aggravated heart condition on 31 March 1880, in Moscow, in the midst of yet another concert tour. He was forty five at the time of his death.

During his life time he was unquestionably considered "a violinist of genius," an artist of great individuality, intensity of expression, and original technique. The influence of his technique is still evident in the style of some violinists of the Russian School.

The comparatively modest body of compositional work which he left behind attests to the demands of the life of the traveling virtuoso. Compositional forms favored by Wieniawski are consistent with the trends of his times. He composed variations, fantasies, capriccios, larger forms, such as concertos, and smaller lyrical forms (also called pieces de salon) - elegies, reveries, miniatures . In most of his early compositions, including the violin Concerto in F-sharp minor (1853), he put emphasis on technical difficulty and virtuoso effects. They were performance pieces which he composed with himself as a performer in mind. His work from these early years is said to exhibit the various influences of Paganini, Ernst and Vieuxtemps.

Wieniawski's grueling travel and concert schedule obviously interfered with his work as a composer. The relatively stable period of his residence in St. Petersburg (1860-1872) yielded the finest of his compositional works: Etudes-caprices op.18, Polonaise Brillante op.21, and the Second Violin Concerto in D-minor. The latter, a small masterpiece, has become a standard in the violin repertoire. While demonstrating the virtuoso possibilities of the violin technique,the composition is also characterized by Romantic lyricism and passionate melodic expression.

Wieniawski's interest in creating a "national" style of Polish music is evident in the mazurkas and polonaises he continued to compose throughout his career. In those works the influence of Chopin and Wieniawski's own genius produced a singular combination of noble simplicity of melodic line and mature, artistic sophistication. This great virtuoso-composer remains well respected today; in Poland his name is honored by International.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Shana Tova 5772

Um sorriso se faz
olha lá os passos de luz vindo
te abraçar feito azul,
na tua estrada,
tua história,
tua memória,
teu coração.
Bem Vindo
doce abraço
aromas de mel
e maçã.
e o que passou deixa ir
feliz ou não.
Vai nascer um big bang
momento virgem
sair do mar
o sol
a vida
o alimento,
na alma
uma estrela
brilhando
ano novo
chegando.

Aharon

מל

חיוך גורם
נראה במורד המדרגות של אור מגיע
אני מחבק אותך כמו האור,
הדרך שלך,
הסיפור שלך,
הזיכרון שלך,
הלב שלך.
רצוי
מתוקה חיבוק
ארומות של דבש
וגם תפוח.
ומה להרפות עכשיו
מאושר או לא.
ייוולד המפץ הגדול
בתולה רגע
מן הים
השמש
חיים
אוכל,
נשמה
כוכב
מבריק
ראש השנה
הקרובים.

אהרון
De: Nelson Aharon Bibow

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Temple Emanu-El


Em minha breve estadia por Miami Beach, tive a grande satisfação de encontrar esse belíssimo templo judaico, o qual deixo-lhes um pouco de sua história.

In my brief stay in Miami Beach, I was delighted to find this beautiful Jewish temple, which I leave a little of its history.

Temple Emanu-El is a historic synagogue located in the South Beach district of Miami Beach, Florida. It is the oldest and largest Conservative congregation in Miami Beach. The original sanctuary was constructed in 1947 as the "Miami Beach Jewish Center" at a cost of $1 million, with additions for classrooms and a grand ballroom being added in 1966.


It is considered to be one of America's most beautiful synagogues with an impressive Byzantine and Moorish style of architecture, featuring a rotunda building and aluminum dome more than ten stories tall. It is roughly modeled after the Great Synagogue of Oran. The Abraham Frost Sanctuary is capable of holding 1,370 people at maximum capacity, thus making it the fifth largest synagogue in the United States by fixed seating capacity. As of 2011, the senior rabbi is DanielSherbill.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Leonard Cohen


Leonard Norman Cohen (Montreal, 21 de setembro de 1934)
é um cantor, compositor, poeta e escritor canadense.
Embora seja mais conhecido por suas canções, que alcançaram notoriedade tanto em sua voz quanto na de outros intérpretes, Cohen passou a se dedicar à música apenas depois dos 30 anos, já consagrado como autor de romances e livros de poesia.

Leonard Cohen nasceu em Montreal, província de Quebec, Canadá, de uma família judia de origem polonesa (polaca). A sua infância foi marcada pela morte de seu pai quando Cohen tinha apenas 9 anos, fato que seria determinante para o desenvolvimento de uma depressão que o acompanharia durante boa parte da vida.

Aos 17 anos, ingressa na Universidade McGill e forma um trio de música country. Paralelamente, passa a escrever seus primeiros poemas, inspirado por autores como García Lorca.


Em 1956, lança seu primeiro livro de poesia, Let Us Compare Mythologies, seguido em 1961 por The Spice Box of Earth, que lhe conferiria fama internacional.

Após o sucesso do livro, Cohen decide viajar pela Europa, e acaba por fixar residência na ilha de Hidra, na Grécia, onde passa a viver junto com Marianne Jensen e seu filho, Axel.

Em 1963 lança The Favorite Game, sua primeira novela, seguida pelo livro de poemas Flowers for Hitler, em 1964, e pela sua segunda novela, Beautiful Losers, em 1966.

Em 2011 foi o vencedor do Prémio Príncipe das Astúrias das Letras.


Já estabelecido como escritor, Cohen decide se tornar compositor. Para isso, muda-se para os Estados Unidos, onde conhece a cantora Judy Collins, que grava duas de suas composições ("Suzanne" e "Dress Rehearsal Rag") em seu disco In My Life, de 1966.

No ano seguinte, Cohen participa do Newport Folk Festival, onde chama a atenção do produtor John Hammond, o mesmo que antes havia descoberto, dentre outros, Billie Holiday e Bob Dylan. Songs of Leonard Cohen, seu primeiro disco, é lançado no final do ano, sendo bem recebido por público e crítica.

Seu próximo disco, Songs from a Room, seria produzido por Bob Johnston, produtor dos principais trabalhos de Dylan nos anos 60. Embora não tão bem recebido quanto o anterior, contém a canção "Bird on the Wire", que o próprio Cohen disse ser a sua favorita dentre as suas composições. Em 1971, lança Songs of Love and Hate, um disco mais sombrio que os anteriores. No mesmo ano, o diretor Robert Altman, em seu filme McCabe & Mrs. Miller, utiliza três canções de Cohen: "Sisters of Mercy", "Winter Lady" e "The Stranger Song", todas do primeiro disco do cantor.

Um novo livro de poemas, The Energy of Slaves, é lançado em 1972 e, no ano seguinte, o disco ao vivo Live Songs.

Também em 1973, por ocasião da Guerra do Yom Kipur, Cohen faz uma série de shows gratuitos para soldados israelenses. Baseada no poema "Unetaneh Tokef " da tradição judaica, surgiria a canção "Who by Fire", incluída no álbum New Skin for the Old Ceremony, a ser lançado no ano seguinte.


Após o disco de 1974, Cohen decide se afastar do mundo da música, resultado não só de uma confessa falta de inspiração, mas também de sua insatisfação com as exigências do mercado.

Seu retorno se daria em 1977 com Death of a Ladies' Man, produzido por Phil Spector, que foi também o co-autor de quase todo o repertório do disco. O álbum foi marcado por atritos após as gravações, quando Spector se trancou em seu estúdio para o processo de mixagem, não permitindo que nem mesmo Cohen interferisse no resultado final. Por conta disso é até hoje notória a insatisfação do cantor com o disco, o qual classifica como sendo o mais fraco de todos. Em 1978, numa alusão ao álbum do ano anterior, seria a vez do lançamento do livro Death of a Lady's Man.

Em 1979 reaproxima-se do estilo dos seus primeiros trabalhos com Recent Songs, cuja turnê foi registrada no disco Field Commander Cohen: Tour of 1979, lançado apenas em 2001. Entre os integrantes de sua banda de apoio encontravam-se Sharon Robinson, co-autora de várias canções de Cohen a partir da década de 80, e Jennifer Warnes.

Após a turnê, seguiu-se mais um período de reclusão, no qual dedicou-se à escrita e ao estudo do budismo. Só voltaria a lançar novos trabalhos em 1984, com o disco Various Positions e o livro de poemas Book of Mercy. Embora a essa altura sua popularidade nos Estados Unidos estivesse em baixa, sua música ainda fazia grande sucesso em alguns países da Europa como França e Noruega.


Em 1988, retorna com o álbum I'm Your Man, aclamado por crítica e público. Parte dessa boa recepção deve ser creditada a Famous Blue Raincoat – The Songs of Leonard Cohen, disco tributo lançado por Jennifer Warnes um ano antes, que apresentou as canções do canadense a toda uma nova geração de fãs.

Paralelamente, muitos dos jovens músicos ligados ao folk e ao indie-rock da época diziam-se influenciados pelo trabalho do cantor. Parte desses músicos seria responsável pelo disco-tributo I'm Your Fan, lançado em 1991. Dentre estes, destacavam-se R.E.M., Ian McCulloch (vocalista do Echo & the Bunnymen) e Nick Cave and the Bad Seeds.

No ano seguinte lançaria The Future e, em 1994, Cohen Live, contendo registros de apresentações ao vivo entre os anos de 1988 e 1993.


Em 1994, consolidando a sua aproximação com o budismo, Cohen passa a viver no mosteiro de Mount Baldy Zen Center, próximo de Los Angeles. Em 1996, seria ordenado monge zen, e ganharia o nome Dharma de Jikan ("silencioso").

Nesse meio-tempo é lançado, em 1995, um outro disco-tributo, Tower of Songs, dessa vez com nomes mais conhecidos, como Elton John, Bono e Willie Nelson.

No mesmo ano é lançado o livro Dance Me to the End of Love, onde poesias suas são mescladas com pinturas do francês Henri Matisse.

Sua experiência no mosteiro iria até o ano de 1999, quando voltaria a morar em Los Angeles. Apesar disso, Cohen ainda se considera judeu, ressaltando que não procura "por uma nova religião".


Em 2001, lança Ten New Songs, seu primeiro disco de inéditas em sete anos, feito em parceria com Sharon Robinson. Em 2004 seria a vez de Dear Heather.

Em maio de 2006 é lançado o disco Blue Alert da cantora Anjani Thomas, sua namorada e ex-vocalista de sua banda de apoio. Cohen foi o produtor e co-autor de todas as faixas do disco.


Menos de um mês depois é lançado o aclamado documentário Leonard Cohen: I'm Your Man, onde relatos do cantor são intercalados com versões de suas músicas interpretadas por artistas como Rufus Wainwright e Nick Cave. No fim da película o próprio Cohen interpreta, junto ao U2, a música "Tower of Song".

domingo, 17 de julho de 2011

ÀS DUAS, EM PONTO, uma crônica de Jairo De Britto


Perguntado sobre qual seria, na sua opinião, o melhor livro, um grande escritor inglês
(conservador e de primeira linha), respondeu rápido: o Dicionário. E explicou:
"Nele estão contidos todos os livros do mundo"!

As chamadas frases de efeito, como as orações que não partem direto do coração
do crente, provocam sempre surpresa. Ou alguma reflexão sobre sua dubiedade,
quando atingem os ouvidos de alguns ou muitos homens.
Elas sempre trazem consigo suas próprias antíteses, a despeito de quão sábios, ou apenas bem humorados, sejam seus autores.
No que tange às orações 'cerebrais', acho que despertam em Deus apenas Sua imensa
Piedade.

Gostaria de saber que horas são. Com a mesma certeza, e a suave simplicidade, com que meu Amor sabe que “as cortinas são a roupa da casa”; com o seu mesmo sereno observar do homem (e do pai) que acompanha a progressiva iluminação da Cidade - à proporção que se aproxima o Natal.

Gostaria de recuperar, na crônica, a palavra 'Gratidão'. Substantivo que procuro aprender a aceitar e a exercitar como de “mão única”: devo sempre ser grato e nunca aguardar a mesma atitude de outrem. Simples (?) - e por tantos já bem dito!

Gostaria de saber que horas são. Com a exatidão das poucas certezas de que disponho
em mais de meio século de vida: embora necessário, e mesmo indispensável, é muito
difícil perdoar e gostar. Ou desejar o Bem àqueles que nos ofendem.
Mas, quando o fazemos, a sensação é sempre prazerosa! Ainda que indescritível em sua amplitude. Como acontece com o Amor, a Fé ou a Esperança...

São duas – a Mulher e a Menina, que se alternam ante meus olhos; que se misturam
quando se entregam; que se confundem quando dizem “Eu te amo”! Que, às vezes com
medo, porém enlevadas pela cumplicidade que o corpo e a beleza do singular alfabeto que seu amante arma e desarma, verte e inverte, perguntam-se:
Afinal, o quê ele faz? O que pretende da Vida?

São duas – a Mulher e a Menina, que ele ausculta enquanto é observado com amorosa
complacência; com enorme ternura e com quase infinitas dúvidas:
Qual é a sua profissão na Vida? Qual é a sua Profissão de Fé? À noite, em São Paulo ou Porto, ele trabalha? Ao fim e ao cabo, como ele perde ou ganha a Vida?

Neste ponto, recolhem-se e refletem sobre a inutilidade da Poesia, do Conto, da Novela, da Prosa Poética que ele, por exemplo, agora lhes oferece com as mãos limpas, fortes e francas.

Mãos tão francas quanto sua atroz e voraz autocrítica; quanto sua permanente melancolia;sua indisfarçável fome de Beleza. Aquela, que procura saciar caçando palavras, juntando frases em dunas que pairam sobre o alvoroço dos ventos e de seus cabelos negros, que anunciam fios de marfim.

São duas. Que não permitem aos outros sequer questioná-las sobre ele e seus afazeres. Quanto mais elas o observam, divisam - no raso horizonte de tantos papéis - um homem afeito a inutilidades; um homem entregue a letras fatais.

Um homem que se acredita sem qualidades e que luta com tal velocidade -- além do Fim,do Mar e da Luz –, que seus olhos o percebem apenas imóvel.Um homem que deixa, da boca, escapar somente um mantra azul – que as submete, fortalece e domina.

Gostaria de saber das horas exatas que antecedem o verão; das horas extras que precedem o coito de cada íntimo parágrafo. Mas, perdido enquanto trituro palavras afoitas, consigo apenas olhar a Cidade, ouvir seus tantos ruídos e rumores; sentir seus odores, velar suas noites de prazer e dor.

Sim, perdido enquanto mastigo palavras de uma língua estranha, driblando a sorte e a morte,caminho até a cozinha, cantarolando:

“Something on the way she loves me/Attracts me like no other lover/…”

Então, consigo ver a Mulher e a Menina zangadas - por saberem que ando a vasculhar o seu mais ousado, intenso e íntimo pensar. Mas, quando nossos lábios se aproximam; quando as aquieto em abraço, miro o relógio e, sem remorso ou desculpas, me entrego. Às duas, em ponto.


*Jairo De Britto,
em “Verdes Crônicas”