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quarta-feira, 18 de maio de 2011

RUBEM ALVES

[...]A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,
inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol...
triste e nostálgico.

(Rubem Alves)


Rubem Alves nasceu no dia 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, naquele tempo chamada de Dores da Boa Esperança. A cidade é conhecida pela serra imortalizada por Lamartine Babo e Francisco Alves na música "Serra da Boa Esperança".

A família mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1945, onde, apesar de matriculado em bom colégio, sofria com a chacota de seus colegas que não perdoavam seu sotaque mineiro. Buscou refúgio na religião, pois vivia solitário, sem amigos. Teve aulas de piano, mas não teve o mesmo desempenho de seu conterrâneo, Nelson Freire. Foi bem sucedido no estudo de teologia e iniciou sua carreira dentro de sua igreja como pastor em cidade do interior de Minas.

No período de 1953 a 1957 estudou Teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas (SP), tendo se transferido para Lavras (MG), em 1958, onde exerce as funções de pastor naquela comunidade até 1963.

Casou-se em 1959 e teve três filhos: Sérgio (1959), Marcos (1962) e Raquel (1975). Foi ela sua musa inspiradora na feitura de contos infantis.

Em 1963 foi estudar em Nova York, retornando ao Brasil no mês de maio de 1964 com o título de Mestre em Teologia pelo Union Theological Seminary. Denunciado pelas autoridades da Igreja Presbiteriana como subversivo, em 1968, foi perseguido pelo regime militar. Abandonou a igreja presbiteriana e retornou com a família para os Estados Unidos, fugindo das ameaças que recebia. Lá, torna-se Doutor em Filosofia (Ph.D.) pelo Princeton Theological Seminary.

Sua tese de doutoramento em teologia, “A Theology of Human Hope”, publicada em 1969 pela editora católica Corpus Books é, no seu entendimento, “um dos primeiros brotos daquilo que posteriormente recebeu o nome de Teoria da Libertação”.

De volta ao Brasil, por indicação do professor Paul Singer, conhecido economista, é contratado para dar aulas de Filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (SP).

Em 1971, foi professor-visitante no Union Theological Seminary.

Em 1973, transferiu-se para a Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, como professor-adjunto na Faculdade de Educação.

No ano seguinte, 1974, ocupa o cargo de professor-titular de Filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), na UNICAMP.

É nomeado professor-titular na Faculdade de Educação da UNICAMP e, em 1979, professor livre-docente no IFCH daquela universidade. Convidado pela "Nobel Fundation", profere conferência intitulada "The Quest for Peace".

Na Universidade Estadual de Campinas foi eleito representante dos professores titulares junto ao Conselho Universitário, no período de 1980 a 1985, Diretor da Assessoria de Relações Internacionais de 1985 a 1988 e Diretor da Assessoria Especial para Assuntos de Ensino de 1983 a 1985.

No início da década de 80 torna-se psicanalista pela Sociedade Paulista de Psicanálise.

Em 1988, foi professor-visitante na Universidade de Birmingham, Inglaterra. Posteriormente, a convite da "Rockefeller Fundation" fez "residência" no "Bellagio Study Center", Itália.

Na literatura e a poesia encontrou a alegria que o manteve vivo nas horas más por que passou. Admirador de Adélia Prado, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, Octávio Paz, Saramago, Nietzsche, T. S. Eliot, Camus, Santo Agostinho, Borges e Fernando Pessoa, entre outros, tornou-se autor de inúmeros livros, é colaborador em diversos jornais e revistas com crônicas de grande sucesso, em especial entre os vestibulandos.

Afirma que é “psicanalista, embora heterodoxo”, pois nela reside o fato de que acredita que no mais profundo do inconsciente mora a beleza.

Após se aposentar tornou-se proprietário de um restaurante na cidade de Campinas, onde deu vazão a seu amor pela cozinha. No local eram também ministrados cursos sobre cinema, pintura e literatura, além de contar com um ótimo trio com música ao vivo, sempre contando com “canjas” de alunos da Faculdade de Música da UNICAMP.

O autor é membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp e cidadão-honorário de Campinas, onde recebeu a medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.



Bibliografia:

Crônicas

As contas de vidro e o fio de nylon, Editora Ars Poética (São Paulo)
Navegando, Editora Ars Poética (São Paulo)
Teologia do cotidiano, Editora Olho D'Água (São Paulo)
A festa de Maria, Editora Papirus (Campinas)
Cenas da vida, Editora Papirus (Campinas)
Concerto para corpo e alma, Editora Papirus (Campinas)
E aí? - Cartas aos adolescentes e a seus pais, Editora Papirus (Campinas)
O quarto do mistério, Editora Papirus (Campinas)
O retorno eterno, Editora Papirus (Campinas)
Sobre o tempo e a eterna idade, Editora Papirus (Campinas)
Tempus fugit, Editora Paulus (São Paulo)

Livros Infantis

A menina, a gaiola e a bicicleta, Editora Cia das Letrinhas (SP)
A boneca de pano, Edições Loyola (SP)
A loja de brinquedos, Edições Loyola (SP)
A menina e a pantera negra, Edições Loyola (SP)
A menina e o pássaro encantado, Edições Loyola (SP)
A pipa e a flor, Edições Loyola (SP)
A porquinha de rabo esticadinho, Edições Loyola (SP)
A toupeira que queria ver o cometa, Edições Loyola (SP)
Estórias de bichos, Edições Loyola (SP)
Lagartixas e dinossauros, Edições Loyola (SP)
O escorpião e a rã, Edições Loyola (SP)
O flautista mágico, Edições Loyola (SP)
O gambá que não sabia sorrir, Edições Loyola (SP)
O gato que gostava de cenouras, Edições Loyola (SP)
O país dos dedos gordos, Edições Loyola (SP)
A árvore e a aranha, Edições Paulus (SP)
A libélula e a tartaruga, Edições Paulus (SP)
A montanha encantada dos gansos selvagens, Edições Paulus (SP)
A operação de Lili, Edições Paulus (SP)
A planície e o abismo, Edições Paulus (SP)
A selva e o mar, Edições Paulus (SP)
A volta do pássaro encantado, Edições Paulus (SP)
Como nasceu a alegria, Edições Paulus (SP)
O medo da sementinha, Edições Paulus (SP)
Os Morangos, Edições Paulus (SP)
O passarinho engaiolado, Editora Papirus (Campinas)
Vuelve, Pájaro Encantado, Sansueta Ediciones SA (Madrid, España)

Filosofia da Ciência e da Educação

A alegria de ensinar, Editora Ars Poética (SP)
Conversas com quem gosta de ensinar, Editora Ars Poética (SP)
Estórias de quem gosta de ensinar, Editora Ars Poética (SP)
Filosofia da Ciência, Editora Ars Poética (SP)
Entre a ciência e a sapiência, Edições Loyola (SP)

Filosofia da Religião

O enigma da religião (Campinas, Papirus)
L' enigma della religione (Roma, Borla)
O que é religião? (S. Paulo, Brasiliense)
What is religion? (Maryknoll, Orbis)
Was ist religion? (Zurich, Pendo)
Protestantismo e Repressão (S. Paulo, Ática)
Protestantism and Repression (Maryknoll, Orbis)
Dogmatismo e Tolerância (S. Paulo, Paulinas)
O suspiro dos oprimidos (S. Paulo, Paulinas)

Biografias

Gandhi: A Magia dos gestos poéticos (S. Paulo/Campinas, Olho D'Água/Speculum)

Teologia

A Theology of Human Hope (Washington, Corpus Books)
Christianisme, opium ou liberation? (Paris, Éditions du Cerf)
Teologia della speranza umana (Brescia, Queriniana)
Da Esperança (Campinas, Papirus)
Tomorrow's child (New York, Harper & Row)
Hijos del manana (Salamanca, Siguime)
Il figlio dei Domani (Brescia, Queriniana)
Teologia como juego (Buenos Aires, Tierra Nueva)
Variações sobre a vida e a morte (São Paulo, Paulinas)
Creio na ressurreição do corpo (Rio de Janeiro, CEDI)
Ich glaube an die Auferstehung des Leibes (Dusseldorf, Patmos VERLAG)
I believe in the resurrection of the body (Philadelphia, Fortress Press)
Je crois en la résurrection du corps (Paris, Éditions du Cerf)
Poesia, Profecia, Magia (Rio de Janeiro, CEDI)
Der Wind blühet wo er will (Dusseldorf, Patmos)
Pai nosso (Rio de Janeiro, CEDI)
Vater Unser (Dusseldorf, Patmos)
The Poet, the Warrior, the Prophet (London, SCM Press)
Parole da Mangiari (The Poet, the Warrior, the Prophet), Edizioni Qiqajon Comunitá di Bose (Itália)




Dados extraídos de livros do autor e de sítios da Internet.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Walter Benedix Schönflies Benjamin


Walter Benedix Schönflies Benjamin (Berlim,Alemanha, 15 de julho de 1892 — Portbou,Catalunha, Espanha, 27 de setembro de 1940) foi um ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu alemão.

Walter Benjamin nasceu no seio de uma família judaica. Filho de Emil Benjamin e de Paula Schönflies Benjamin, comerciantes de produtos franceses. Na adolescência Benjamin, perfilhando ideais socialistas, participou no Movimento da Juventude Livre Alemã, colaborando na revista do movimento. Nesta época nota-se uma nítida influência de Nietzsche em suas leituras.

Em 1915, conhece Gerschom Gerhard Scholem de quem se torna muito próximo, quer pelo gosto comum pela arte, quer pela religião judaica que estudavam.

Em 1919 defende tese de doutorado, A Crítica de Arte no Romantismo Alemão, que foi aprovada e recomendada para publicação.

Em 1925, Benjamin constatou que a porta da vida acadêmica estava fechada para sí, tendo a sua tese de livre-docência Origem do Drama Barroco Alemão sido rejeitada pelo Departamento de Estética da Universidade de Frankfurt.

Nos últimos anos da década de 1920 o filósofo judeu interessa-se pelo marxismo, e juntamente com o seu companheiro de então, Theodor Adorno, aproxima-se da filosofia de Georg Lukács. Por esta altura e nos anos seguintes publica resenhas e traduções que lhe trariam reconhecimento como crítico literário, entre elas as séries sobre Charles Baudelaire.

Refugiou-se na Itália, de 1934 a 1935. Neste momento cresciam as tensões entre Benjamin e o Instituto para Pesquisas Sociais, associado ao que ficou conhecida como Escola de Frankfurt, da qual Benjamin foi mais um inspirador do que um membro.

Em 1940, ano da sua morte, Benjamin escreve a sua última obra, considerada por alguns como o mais importante texto revolucionário desde Marx; por outros, como um retrocesso no pensamento benjaminiano: as Teses Sobre o Conceito de História.

A sua morte, desde sempre envolta em mistério, teria ocorrido durante a tentativa de fuga através dos Pirenéus, quando, em Portbou, temendo ser entregue à Gestapo, teria cometido o suicídio.


SUAS IDÉIAS

Benjamin tinha seu ensaio “A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade Técnica” na conta de primeira grande teoria materialista da arte. O ponto central desse estudo encontra-se na análise das causas e conseqüências da destruição da “aura” que envolve as obras de arte, enquanto objetos individualizados e únicos. Com o progresso das técnicas de reprodução, sobretudo do cinema, a aura, dissolvendo-se nas várias reproduções do original, destituiria a obra de arte de seu status de raridade. Para Benjamin, a partir do momento em que a obra fica excluída da atmosfera aristocrática e religiosa, que fazem dela uma coisa para poucos e um objeto de culto, a dissolução da aura atinge dimensões sociais. Essas dimensões seriam resultantes da estreita relação existente entre as transformações técnicas da sociedade e as modificações da percepção estética. A perda da aura e as conseqüências sociais resultantes desse fato são particularmente sensíveis no cinema, no qual a reprodução de uma obra de arte carrega consigo a possibilidade de uma radical mudança qualitativa na relação das massas com a arte. Embora o cinema, diz Walter Benjamin, exija o uso de toda a personalidade viva do homem, este priva-se de sua aura. Se, no teatro, a aura de um Macbeth, por exemplo, liga-se indissoluvelmente à aura do ator que o representa, tal como essa aura é sentida pelo público, fico, o mesmo não acontece no cinema, no qual a aura dos intérpretes desaparece com a substituição do público pelo aparelho. Na medida em que o ator se torna acessório da cena, não é raro que os próprios acessórios desempenhem o papel de atores.
Benjamin considera ainda que a natureza vista pelos olhos difere da natureza vista pela câmara, e esta, ao substituir o espaço onde o homem age conscientemente por outro onde sua ação é inconsciente, possibilita a experiência do inconsciente visual, do mesmo modo que a prática psicanalítica possibilita a experiência do inconsciente instintivo. Exibindo, assim, a reciprocidade de ação entre a matéria e o homem, o cinema seria de grande valia para um pensamento materialista. Adaptado adequadamente ao proletariado que se prepararia para tomar o poder, o cinema tornar-se-ia, em conseqüência, portador de uma extraordinária esperança histórica. Em suma, a análise de Benjamin mostra que as técnicas de reprodução das obras de arte, provocando a queda da aura, promovem a liquidação do elemento tradicional da herança cultural; mas, por outro lado, esse processo contém um germe positivo, na medida em que possibilita um outro relacionamento das massas com a arte, dotando-as de um instrumento eficaz de renovação das estruturas sociais. Trata-se de uma postura otimista, que foi objeto de reflexão crítica por parte de Adorno.

Atualmente a obra de Benjamin exerce grande influência no editor e tradutor de suas obras em italiano, Giorgio Agamben, sobretudo acerca do conceito de Estado de exceção.


Associado à Escola de Frankfurt e à Teoria Crítica, foi fortemente inspirado tanto por autores marxistas, como Georg Lukács e Bertolt Brecht, como pelo místico judaico Gerschom Scholem. Conhecedor profundo da língua e cultura francesas, traduziu para alemão importantes obras como Quadros Parisienses de Charles Baudelaire e Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust. O seu trabalho, combinando ideias aparentemente antagónicas do idealismo alemão, do materialismo dialético e do misticismo judaico, constitui um contributo original para a teoria estética. Entre as suas obras mais conhecidas, contam-se A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica (1936), Teses Sobre o Conceito de História (1940) e a monumental e inacabada Paris, Capital do século XIX, enquanto A Tarefa do Tradutor constitui referência incontornável dos estudos literários.


Passages: The memorial to Benjamin, in Portbou, Spain.


"Se ao Mundo Predissesses teu Morrer"

Se ao mundo predissesses teu morrer
na morte a natureza ir-te-ia à frente
volvendo com mandado intransigente
no eterno esquecimento o próprio ser

O céu se rosaria docemente
por do teu corpo a roupa enfim descer
florestas tingiria o teu sofrer
de negro e a noite o mar barca silente

Luto sem nome com estrelas mede
a estela ao teu olhar no arco celeste
e a escuridão de espesso muro impede

que a luz da nova primavera preste
A estação vê nos astros que pararam
as cisternas que a morte te espelharam.

Walter Benjamin,
in "Sonetos"
Tradução de Vasco Graça Moura

terça-feira, 8 de março de 2011

Excerto de Pablo Neruda


"Os meus pensamentos foram-se afastando de mim, mas, chegado a um caminho acolhedor, rejeito os tumultuosos pesares e detenho-me, de olhos fechados, enervado num aroma de afastamento que eu próprio fui conservando, na minha pequena luta contra a vida. Só vivi ontem.
(...)

Ontem é uma árvore de longas ramagens, e estou estendido à sua sombra, recordando.

De súbito, contemplo, surpreendido, longas caravanas de caminhantes... Com os olhos adormecidos na recordação, entoam canções e recordam. E algo me diz que mudaram para se deter, que falaram para se calar, que abriram os olhos atônitos ante a festa das estrelas para os fechar e recordar...

Estendido neste novo caminho, com os olhos ávidos florescidos de afastamento, procuro em vão interceptar o rio do tempo que tremula sobre as minhas atitudes. Mas a água que consigo recolher fica aprisionada nos tanques ocultos do meu coração em que amanhã terão de se submergir as minhas velhas mãos solitárias..."

Pablo Neruda,
de "Nasci para Nascer"

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Michael Rabin



Michael Rabin (May 2, 1936 – January 19, 1972) was an American virtuoso violinist of Romanian-Jewish descent.
He began to learn the violin when he was seven. His father George, a violinist in the New York Philharmonic, noticed his talent. A lesson with Jascha Heifetz was arranged and the master advised him to study with Ivan Galamian, who said he had "no weaknesses, never." His mother Jeanne was a Juilliard-trained and successful pianist. He began studies with Galamian in New York and at the Meadowmount School of Music and the Juilliard School, and went on to appear with a number of American orchestras before his Carnegie Hall debut on 29 November 1951 in the Paganini D major Concerto, with Dimitri Mitropoulos conducting the New York Philharmonic. He was aged only 15. He first appeared in London on 13 December 1954, still aged only 18, playing the Tchaikovsky Concerto in D at the Royal Albert Hall with the BBC Symphony Orchestra.



Michael Rabin recorded concertos by Mendelssohn, Glazunov, Paganini (No. 1 in D major; 2 recordings), Wieniawski (No. 1 in F-sharp minor, No. 2 in D minor), and Tchaikovsky, as well as Bruch's Scottish Fantasy and the Paganini Caprices for solo violin. He recorded the Bach Sonata in C major for solo violin and the Third and Fourth sonatas for solo violin by Eugène Ysaÿe, as well as virtuoso pieces, including an album with the Hollywood Bowl Orchestra.

Rabin played in a bel canto style. He toured widely, playing in all the major cities of the U.S., Europe, South America and Australia. He even appeared on a 1951 episode of the variety television series "Texaco Star Theatre". During a recital in Carnegie Hall, he suddenly fell forward and momentarily lost his balance, and this was the beginning of a neurological condition which was to affect his career adversely. He died prematurely at the age of 35 from a head injury sustained in a fall at his New York apartment.



He performed for many years on the "Kubelik" Guarnerius del Gesu of 1735. The master craftsman, Giuseppe Guarneri, who fashioned this violin is known as del Gesù because his labels incorporated the nomina sacra, I.H.S. (In Hoc Signo) and a Roman cross.

In January 1950 he also appeared in Carnegie Hall, as soloist with the National Orchestral Association under the direction of Leon Barzin.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Leonard Bernstein

Leonard Bernstein Lawrence, 25 de Agosto de 1918 – Nova Iorque, 14 de Outubro de 1990)
foi um maestro, compositor, e pianista americano. Vencedor de vários Emmys, Bernstein foi o primeiro compositor nascido nos Estados Unidos a receber reconhecimento mundial, ficando famoso na direção da Filarmônica de Nova York, os célebres concertos para jovens na televisão (Young People's Concerts), entre 1954 e 1989, e suas composições, como West Side Story, Candide, e On the Town. Uma das figuras mais influentes na história da música clássica americana, patrocinou obras de compositores americanos e inspirador das carreiras de uma geração de novos músicos.

Bernstein nasceu Louis Bernstein em Lawrence, Massachusetts, filhos dos judeus ucranianos, Jennie e Samuel Joseph Bernstein. Sua avo materna insistiu que seu primeiro nome fosse Louis, mas seus pais preferiam chamá-lo de Leonard. Seu nome foi oficialmente mudado para Leonard quando ele completou quinze anos, pouco tempo após a morte de sua avó.

Seu pai, Sam Bernstein era um homem de negócios e dono de uma livraria em Lawrence e inicialmente era contra a idéia de seu filho seguir na carreira da música, mas Bernstein freqüentava concertos. Ainda criança, Bernstein ouviu a uma performance de piano e ficou, imediatamente, apaixonado e subseqüentemente começou a ter aulas do instrumento. Bernstein freqüentou a Escola Garrison e a Escola de Latim de Boston.
Após sua graduação na Escola de Latim de Boston em 1935, Bernstein ingressou na Universidade de Harvard, onde estudou música com Walter Piston e assossiou-se ao Club Glee de Harvard. Um de seus amigos de Harvard foi o filósofo Donald Davidson, com quem tocou uma peça de piano para quatro mãos. Bernstein escreveu e conduziu a partitura para o músical de Davidson.

Após completar seus estudos em Harvard, ele ingressou no Instituto Curtis de Música na Filadélfia, onde recebeu apenas um "A" de Fritz Reiner, em Condução. Durante esse período, Bernstein também estudou piano com Isabelle Vengerova, orquestração com Randall Thompson, contraponto com Richard Stöhr e leitura de partitura com Renée Longy Miquelle.



Durante o começo de sua carreira em Nova Iorque, Bernstein aproveitou uma exuberante vida social, que incluiu casos com homens e mulheres. Ele se casou com a atriz chilena Felicia Cohn Montealegre, no dia 10 de setembro de 1951. Com ela teve três filhos: Jamie, Alexander e Nina.Durante o seu casamento, Bernstein tentou ser discreto em relação às suas aventuras extraconjugais, mas com o passar dos anos e com o aumento da visibilidade do movimento de libertação gay, Bernstein se assumiu e deixou Felicia para viver com Tom Cothran. Pouco tempo depois, Bernstein soube que a sua ex-esposa tinha tido um diagnóstico de câncer de pulmão e voltou para acompanhá-la até a morte, em 16 de Junho de 1978.
Bernstein (1945)



Tem-se sugerido que Leonard Bernstein era bissexual - afirmação suportada nos próprios comentários de Bernstein, que dizia não ter preferências por nenhum tipo especial de cozinha, género musical ou forma sexual - e tem sido alegado que ele se debatia entre a sua devoção à família e os seus desejos sexuais, mas Arthur Laurents, amigo de Bernstein e colaborador em West Side Story, disse que Bernstein era simplesmente "um homem gay que se casou. Ele não teve conflitos sobre tudo isso. Ele era apenas gay".Shirley Rhoades Perle, outra amiga de Bernstein, afirmou que "ele desejava homens sexualmente e mulheres emocionalmente".

Bernstein foi um grande maestro, compositor e educador. Ele é, provavelmente, mais lembrado pelo público pela sua atuação como diretor musical da Filarmônica de Nova Iorque, por conduzir concertos com muitas orquestras de todo o mundo e por ter escrito a música de West Side Story. Ele escreveu três sinfonias, duas operas e cinco musicais, fora outras tantas peças.
Em 1980 Bernstein recebeu o Kennedy Center Honors.


Em 1982, ele e Ernest Fleischmann fundaram o Instituto Filarmônico de Los Angeles, onde ele serviu como Diretor Artístico por dois anos. Foi também o maestro convidado regular da Orquestra Real Concertgebouw em Amsterdã. Na década de 1980 ele gravou, entre outras, as sinfonias nºs 1, 2, 4 e 9 de Mahler com a orquestra.Em 1985 ele conduziu uma gravação completa da sua obra West Side Story pela primeira e única vez. A gravação foi muito criticada por ter no elenco cantores líricos, como Kiri te Kanawa, José Carreras e Tatiana Troyanos, entretanto, foi um best-seller.




Quatro anos depois, ele novamente conduziu seus musicais, mas com cantores da Broadway. Nesse período fez a gravação de Candide, com Jerry Hadley, June Anderson, Adolph Green e Christa Ludwig. No Natal desse mesmo ano, Bernstein conduziu a Nona Sinfonia de Beethoven em Berlim, celebrando o Natal e a queda do Muro de Berlim. O concerto foi televisionado para mais de vinte países e estima-se que mais de 100 milhões de pessoas assistiram. Nessa ocasião, Bernstein modificou o texto Hino à Alegria de Friedrich Schiller, substituíndo a palavra Freiheit (Liberdade) para Freuden (aproveitar) Bernstein na introdução ao concerto disse que "tomou a liberdade" de fazer isso e que tinha "certeza de que Beethoven está nos abençoando".

Sua última apresentação pública foi em Tanglewood, dia 19 de agosto de 1990 com a Orquestra Sinfônica de Boston, numa performance de "Four Sea Interludes" de Benjamin Britten e da Sétima Sinfonia de Beethoven Sofreu um acesso de tosse no meio de uma performance de Beethoven que quase interrompeu o concerto, que foi lançado posteriormente em CD pela Deutsche Grammophon.

Bernstein morreu de pneumonia e um turmor pleural apenas cinco dias depois de se aposentar. Bernstein fumou muito por um longo período de tempo, e por teve enfisema desde a metade da década de 1950.
No dia da procissão do seu funeral pelas ruas de Manhattan, pessoas que trabalhavam nas obras ao redor tiravam seus chapéus e capacetes e disseram "Adeus Lenny". Bernstein está enterrado no Cemitério Green-Wood, Brooklyn, Nova Iorque.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

DURANTE, O CAMINHAR*




Todas as coisas já foram ditas.
Mas como ninguém escuta,
É preciso recomeçar.
(André Gide)



Mar, areia, espuma e sal: sonhos que namoram pesadelos, povoam minhas noites de fogo e ferro.

No sagrado esquecer dos meus sonhos, escondo de mim todo o sofrer - enquanto sorrio lamúrias inúteis. Trago, no peito e nos pés, no sangue e por entre ossos, a certeza de tantas incapacidades:

Como lidar com o amanhecer; com os mais afoitos raios do sol da manhã?

Como atender às pequenas ou grandes demandas do amor?

Como tudo falar, quando somente escrever me faz caber no espaço solerte que me separa do outro?

Como avançar com palavras, mãos cheias de pérolas cativas? Qual Bandeirante com batéia de esmeraldas a saltarem como pequenos bagres, piáus, lambaris e traíras - em pescarias de peneira - naquele longínquo rio do curto período de infância no campo?

Como afiançar o número e nome, de todas as exatas cores do arco-íris, apreendidas em estranho dialeto africano que desconheço? Como dizer à amante o quanto lhe quero, se na garganta tantas palavras ainda não recupero?

Chorei ao nascer e, tendo a morte como diária e fiel companheira, não hei de mais chorar ao morrer. Mas, sei quão longo é o caminho de uma à outra ponta.

Neste "durante", cultivo o necessário esmero na busca das melhores palavras; dos mais afoitos e aflitos sons que habitam o infinito - além do mar; do lago mais próximo e do terrível horizonte além.

A felicidade não tem fonte, frente ou dono: cabe-lhe apenas o ônus de a tantos homens iludir.

Quando adormeço, me despeço da vida e me entrego, solene, a outras vidas. É quando visito parentes que mal conheço; quando alivio as dores que me importunam, quando mergulho no emaranhado mundo dos outros.

É quando, escravo das luzes, me vejo adiante das trevas - livre e leve: capaz de caminhar sobre a terra; nadar em profundos oceanos e mares, em riachos e maiores rios de tantas eras proibidas.

Acordo para lembrar um tão pouco do que vivi: um grão das tantas terras que vi, uma folha rota das imensas florestas em que me perdi. Tudo, apenas reflexos dos raios de sóis diversos, dispersos nas

praias da frágil memória (nano)atômica...


*Jairo De Britto
Ilha de Vitória - ES - Brasil
(07.Janeiro.2010)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Gidon Kremer



Entre os principais violinistas internacionais, Gidon Kremer desenvolveu uma das carreiras certamente menos convencionais. Nascido em Riga,(27/02/1947) na Letónia, começou os seus estudos aos quatro anos de idade com o seu pai e o seu avô, ambos exímios executantes de instrumentos de cordas. Aos sete anos iniciou a sua aprendizagem formal, ingressando na Escola de Música de Riga. Aos dezasseis anos foi-lhe atribuído o Primeiro Prémio da República da Letónia e dois anos mais tarde começou a estudar com David Oistrach no Conservatório de Moscovo. Em 1967 ganhou o Concurso Queen Elizabeth, seguindo-se Primeiros Prémios nos Concursos Internacionais Paganini e Tchaikovsky.



Estes sucessos lançaram a distinta carreira de Gidon Kremer, estabelecendo a sua reputação mundial como uma dos mais originais e completos artistas da sua geração. Apresentou-se em todos os grandes palcos mundiais de concertos, com as mais prestigiadas orquestras da Europa e da América. Colaborou com os mais destacados maestros, incluindo Leonard Bernstein, Herbert von Karajan, Christoph Eschenbach, Nikolaus Harnoncourt, Lorin Maazel, Riccardo Muti, Zubin Mehta, James Levine, Valery Gergiev, Claudio Abbado e Sir Neville Marriner, entre outros.

O repertório de Gidon Kremer é invulgarmente extenso, englobando todas as principais obras para violino dos períodos clássico e romântico, bem como a música de compositores do século XX, como Alfred Schnittke, Arvo Pärt, Giya Kancheli, Sofia Gubaidulina, Valentin Silvestrov, Luigi Nono, Aribert Reimann, Peteris Vasks, John Adams e Astor Piazzolla.



O catálogo discográfico de Gidon Kremer é extremamente extenso, contendo mais de 100 álbuns, muitos dos quais receberam importantes prémios internacionais em reconhecimento pelos seus excepcionais dotes interpretativos; entre eles contam-se os prestigiantes Grand Prix du Disque, Deutsche Schallplattenpreis, Ernst-von-Siemens Musikpreis, Bundesverdienstkreuz, Premio dell'Accademia Musicale Ghigiana, Triumph Prize 2000 (Moscovo) e, em 2001, o Prémio da UNESCO. Em Fevereiro de 2002, Gidon Kremer e a Kremerata Baltica receberam um Grammy pela disco intitulado After Mozart (Nonsuch), na categoria ''Best small Ensemble Performance''.

Em 1981, Gidon Kremer fundou em Lockenhaus, na Áustria, um festival de música de câmara que tem lugar todos os verões. Durante dois anos, 1997-98, assumiu a liderança artística do Festival de Gstaad, sucedendo a Sir Yehudi Menuhin, o seu fundador. Em 1997 fundou a orquestra de câmara Kremerata Baltica que reúne jovens músicos de talento dos três Estados Bálticos. Desde então, Gidon Kremer tem realizado frequentes digressões com esta orquestra, apresentando-se nas principais salas de concertos e festivais internacionais. Gravou também vários CDs com a Kremerata Baltica, para as etiquetas Teldec e Nonesuch, tendo o primeiro sido dedicado à música de Peteris Vasks e Astor Piazzolla. A partir de 2002, Gidon Kremer é o Director Artístico de um novo festival em Basileia - ''les muséiques''.



Gidon Kremer toca um violino Guarnerius del Gesù ''ex-David'', datado de 1730. É também o autor de três livros, publicados em alemão, que reflectem as suas orientações artísticas.

Ivry Gitlis



Ivry Gitlis (Hebrew: עברי גיטליס‎) (born Haifa, August 22, 1922- is an Israeli violinist and UNESCO Goodwill Ambassador. He has performed with the world's best orchestras (New York Philharmonic, Berlin Philharmonic, Vienna Philharmonic, Philadelphia Philharmonic, and Israel Philharmonic), and many of his recordings are considered classics.




Born in Haifa, Mandate Palestine to Russian parents, Gitlis studied violin at an early age. When violinist Bronisław Huberman first heard him play, he sent him for study at the Conservatoire de Paris, where Gitlis won a first prize at age 13. His teachers include Carl Flesch, George Enescu, and Jacques Thibaud. In 1951, Gitlis made his debut in Paris.[1]

His first recording, “Le Concerto à La mémoire d'un ange” by Alban Berg, won the Grand Prix du Disque in France.[1]

In 1968 he participated in John Lennon's Dirty Mac project on The Rolling Stones Rock and Roll Circus program.

In 1971 Bruno Maderna wrote Piece for Ivry for him.

In 1990 Gitlis was designated UNESCO Goodwill Ambassador. His stated aim is the "support of education and culture of peace and tolerance".

Ivry Gitlis is a commentator (along with Itzhak Perlman) all the way through the DVD "The Art of Violin" (2000) which showcases performances and gives biographical details of many of the great violinists of the 20th Century.

Since the end of the sixties, Gitlis has resided in Paris, France.

At various stages in his career he played on the 1737 "Chant du Cygne" Stradivarius and the "Ysaye" Guarnerius del Gesu. Ivry currently owns the "Sancy" Stradivarius of 1713.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

CÚMPLICES NA ETERNA IDADE* (Uma crônica de Jairo de Britto)



Hoje, Sunny Arthur me visitou! Eu o recebo com um fraterno abraço e beijos. Digo-lhe sempre que é muito bem-vindo. Ele me diz que, pela primeira vez, notou o tapete na porta de entrada do apartamento: lá, aonde leu “Bem-vindo”.

Abraço meu filho como se fosse pela última vez; como se fosse nosso último e sempre prazeroso encontro.Assim tem sido por séculos e séculos, em nossa jornada, pelos universos que visitamos, ambos vestidos com diferentes cascas de nós.

Sua juventude transcende seu corpo! Seus olhos, curiosos e atentos, ouvem sobre minhas pequenas descobertas e meus grandes e inúteis lamentos. Ele faz perguntas; lê um belo poema e quer saber o que acho de tudo aquilo que dele depreendeu.

Conversamos sobre o fazer poético, a Arte Literária, as pretensões tantas dos homens que se dedicam à Teoria da Literatura... Aqueles que a defendem como Ciência; que acreditam poder dissecar poemas, como se tais fossem peças anatômicas de um cadáver conservado em cubas de formol.

Conto-lhe um pouco de minhas tantas e tontas desventuras acadêmicas; das minhas aventuras oníricas; falo de passados e presságios. Ele parece me ouvir encantado. Discreto, mira meus movimentos, acompanha meus passos; observa minha postura e atitudes.

Eu sinto sua Alma aproximar-se da minha - como as daqueles outros viajantes, companheiros e cúmplices de tarefas e ardis quânticos.

Do comentar de simples afazeres cotidianos, saltamos para ilações metafísicas - com a naturalidade dos pássaros

que buscam abrigo, à tardinha, nas árvores de parques tranqüilos; daqueles que ao centro abrigam grandes lagos serenos.

Quando o acompanho até o carro, nos despedimos como se fosse mais uma última vez. Assim tem sido; assim nos buscamos e nos despedimos ao longo dos séculos.

Nossos corpos e nossas situações têm assumido posturas, estágios e estampas diversas. Mas a ternura sobrepõe-se a quase tudo. Nossas dúvidas, e ainda tão poucas certezas, têm sido dirimidas e distribuídas por anos seguidos de seres e estares vários.

Nós nos entendemos e entretemos sem que sejam necessários verbos explícitos. Pai e Filho; Filho e Pai; Inimigos e Irmãos, nos reencontramos e, de certa discreta forma, nos cumprimentamos como se fosse pela primeira ou pela última vez.

Essa convivência, que atravessa milênios; que nos veste e despe de formas diversas em situações que nunca nos são de todo estranhas, tem sobrevivido a tempestades, borrascas, e à desvairada alegria que, neste nosso mais recente encontro, quase apaga lembranças que o tempo próximo passado apenas a um de nós permite guardar.

Ele, por exemplo, não se lembra de que, ao presenteá-lo com uma filmadora, o levei para uma praia deserta e fiz com que, ao utilizar a câmera pela primeira vez, gravasse a imagem daquilo que eu havia escrito na areia banhada pelas águas do nosso favorito Oceano: “Sabedoria!”.

Ele, ainda nesse mais recente encontro, porém mais velho, talvez não se lembre que me salvou a vida: exatamente no mesmo Atlântico que me arrastava para o fundo. Em que outro estágio, da História Cósmica, teria eu salvado sua vida?

Como em outros universos, neste conversamos sobre coisas e causos; trocamos impressões... Falamos, sem rancor,das pessoas que não gostam de nós e, com singular prazer, daquelas que nos amam.

Quando pela primeira vez conversei com ele, neste universo, ele ainda não havia nascido. Então, falamos numa língua (Inglês) que não era aquela que lhe esperava ao nascer. O relato desta minha onírica experiência o emocionou.

Noutro dia, no alto de um edifício, sentados numa ampla varanda, conversamos sobre a mais antiga diáspora que este planeta conhece: a do Povo Cigano! Depois, falamos dos Celtas, do seu alfabeto, do Novo Testamento e das tantas metáforas do Velho.

Um ao outro (ou uns aos outros), temos tanto a contar que uma única Vida não basta. O Tempo na Terra é curto: passa como um pássaro em busca de abrigo quando surpresa lhe faz a chuva.

Às vezes me sinto seu filho; noutras me sinto avô! Se inimigos fomos noutra época, motivos havidos para tanto se diluíram na poeira dos astros. Nesse atual reencontro, há uma nova melodia que nos embala e abençoa...

Quando nos abraçamos, sabemos tudo, absolutamente tudo aquilo que ainda não conseguimos compreender nem verbalizar. Nesse abstrato universo, apenas uma sinfonia nos é permitida ouvir. Solerte e solene, ela se impõe e nos acalenta. Quando nos olhamos, compreendemos que somos cúmplices na eterna idade.


*Jairo De Britto.
Ilha de Vitória, Espírito Santo (Brasil)
- 23.Maio.2008 -

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

James Levine


James Lawrence Levine
(Cincinnati, Ohio, 23 de junho de 1943)
é um consagrado maestro e pianista estadunidense. Atual diretor musical do Metropolitan Opera e da Orquestra Sinfônica de Boston.

Levine nasceu em Cincinnati, Ohio em uma família musical: seu avo paterno foi um cantor litúrgico em uma Sinagoga; seu pai foi um violinista e comandava uma banda; e sua mãe era uma atriz. Ele começou a tocar piano ainda pequeno.

Quando tinha apenas 10 anos fez seu primeiro concerto como solista, tocando Concerto para Piano Nº2 de Felix Mendelssohn com a Orquestra Sinfônica de Cincinnati.



Levine estudou música com Walter Levin, primeiro violinista do LaSalle Quartet. Em 1956 ele teve lições de piano com Rudolf Serkin na Escola de Música de Malboro, em Vermont. Nos anos seguintes ele começou a estudar com Rosina Lhévinne na Escola De Música Aspen.




Depis de se graduar na Escola Walnut, uma aclamada escola em Cincinnati, ele entrou para a Escola de Música Juilliard, em Nova Iorque em 1961 e teve aulas com Jean Morel. Ele se graduou em 1964 e uniou-se ao Projeto Maestros Americanos, conectado com a Orquestra Sinfônica de Baltimore.




De 1964 até 1965, Levine serviu como um aprendiz para George Szell com a Orquestra de Cleveland e serviu como maestro assistente até 1970. Nesse mesmo ano fez sua estréia como maestro com a Orquestra da Filadélfia na casa de verão no Robin Hood Dell. Fez sua estréia no mesmo ano com a Ópera Nacional Galês e a Ópera de São Francisco. Levine teve uma associação com a Orquestra Sinfônica de Chicago, onde foi Diretor Musical do Festival de Ravinia de 1973 até 1993.

Levine sua estréia no Metropolitan Opera em Junho de 1971, em uma performance do Festival de Tosca. Seu sucesso conduziu a novas aparições e para sua nomeação como Maestro Principal em 1973. Se tornou Diretor Musical em 1976. Em 1983 serviu como maestro e diretor musical para Franco Zeffirelli na adaptação de La Traviata. Ele se tornou o Primeiro Diretor Artístico em 1986[1] e renunciou em 2004.

Levine fez numerosas apresentações de obras consagradas, como por exemplo: as obras de Mozart, Verdi, Wagner, Richard Strauss, Rossini, Schoenberg, Stravinsky, Weill, Debussy, Berg e Gershwin.



Levine conduziu pela primeira vez a Orquestra Sinfônica de Boston (também conhecida pela sigla BSO) em Abril de 1972. Em Outubro de 2001, Levine foi nomeado Diretor Musical da Orquestra, efetivo entre 2004-2005, com um contrato inicial de cinco anos. É o primeiro estadunidense a conduzir essa orquestra.

A única condição que Levin negociou foi sobre a flexibilidade no tempo para os ensaios, graças a isso a orquestra tem um tempo adicional para se preparar. Desde o início do seu contrato, a orquestra criou um "Fundo de Iniciativo Artístico" de aproximadamente 100 milhões de reais, para financiar os projetos mais caros de Levine.

Levine conduz regularmente na Europa, com a Filarmônica de Viena, Filarmônica de Berlim e em festivais, como o Festival de Bayreuth, Festival de Salzburgo e o Festival de Verbier que ocorre anualmente em Julho. De 1999 até 2004 foi Maestro Chefe da Orquestra Filarmônica de Munique.

Desde 2005 Levine é o Diretor Musical do Centro Musical de Tanglewood, uma academia de verão da Orquestra Sinfônica de Boston.




Levine teve que lidar com questões de saúde nos últimos anos, incluindo a ciática e aquilo que ele chama de "tremura intermitentes". Em 1 de Março de 2006, Levine caiu no palco durante a ovação em pé após uma performance com a Orquestra Sinfônica de Boston, onde rasgou seu manguito rotador em seu ombro direito. Mais tarde foi submetido a uma cirurgia para reparar o prejuízo. Voltou ao pódio em 7 de Julho de 2006, regendo a Orquestra Sinfônica de Boston em Tanglewood. Em 2008 a orquestra anunciou a retirada da maioria dos concertos em Tanglewood graças à necessidade de cirurgia para retirar um rim com um cisto maligno. Retornou ao pódio em Boston, em 24 de Setembro de 2008.



Pesquisa;
Internet/Wikipédia/You Tube

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Parabéns Agustina Bessa-Luís, 86 anos hoje.

Hoje, Agustina Bessa-Luís, uma das mais consagradas escritoras portuguesa, está completando 86 anos de idade, escolhi um texto de Inês Pedrosa, para homenageá-lá.


A POESIA CARNAL DE AGUSTINA
por Inês Pedrosa


«Cada voz está só e é única e é contra o coração dos outros, vertiginosamente, que ela ressoa». Esta frase de Agustina acompanha-me todos os dias. Ilumina as tragédias dos telejornais como a tristeza quotidiana da mulher que confessa à amiga a sua decepção, numa mesa de café. As mulheres desiludem-se, ao contrário dos homens, que são ensinados a viver sem ilusões. Às mulheres, ensina-se-lhes a viver sem tudo menos isso. Por isso as mulheres são especialistas em sobrevivência: é-lhes muito difícil perder a esperança, uma nesga de esperança que seja. Há dias, um amigo dizia-me que a razão pela qual os homens mandam no mundo é o cuidado que têm em evitar conflitos directos. À primeira vista, isto parece uma qualidade – mas significa na realidade um exercício constante de desvio face às pequenas, médias e grandes iniquidades. Sublinho que foi um homem quem me explicou isto – e esta explicação responde a uma das afirmações mais repetidas acerca da obra de Agustina: a de que as mulheres têm nos seus livros uma força muito maior do que os homens. Os livros de Agustina têm a arte de ser ampliações da vida, isto é, frescos da existência pintados do ponto de vista da duração, entendida do ponto de vista do filósofo Henri Bergson – o correr do tempo uno e indivisível. Agustina consegue ver o passado à transparência do presente e antecipar o futuro, porque não se perde no microcosmos do tempo físico. Atinge o precário e o eterno para lá do teatro das aparências, sem se deixar encandear pela linearidade dos relógios. A sua leitura é, por conseguinte, uma experiência metafísica – ou poética.

Há meses, Eduardo Lourenço decidiu definir poesia através da leitura integral de uma página ao acaso de um romance de Agustina. Terminada a leitura, disse apenas: «isto é a poesia». Momento particularmente comovente porque se tratava de uma sessão em que o homenageado ( pela revista de poesia «Relâmpago») era o próprio Lourenço. Em qualquer página de Agustina encontraremos qualquer coisa que nos diz respeito e nos consola – nem que seja pelo riso, ou pela partilha do desespero. Cada voz está só e é única, sim – o mérito de Agustina começou por ser o da escuta, a que se habituou desde menina, beneficiando da liberdade concedida pela falta das expectativas dos adultos ácerca dela – havia um rapaz na casa, o seu irmão, e desse é que se esperavam as grandes coisas. Desenvolveu uma capacidade empática profunda com toda a espécie de criaturas, uma capacidade despida de preconceitos e julgamentos. Deixou-se fascinar pelas relações humanas que analisa ao microscópio, com o olhar clínico e cândido de quem está disposto a aceitar todas as surpresas que a vida traz.

Uma das injustiças que lhe foi feita foi o rótulo de «conservadora» ou mesmo «reaccionária» que criou um cerco de solidão em seu redor, prejudicando-lhe muito a merecida repercussão internacional. Algumas vozes, porém, ousaram furar este cerco, que chegou a ser feroz, antes do 25 de Abril. Uma dessas vozes lúcidas e corajosas foi a de José Saramago, que escrevia sobre Agustina, em Janeiro de 1968, na revista «Seara Nova», o seguinte: « Como é possível, resistindo e opondo-nos embora no plano das ideias e da sua prática, não ser submergido pela beleza torrencial desta escrita, que não tem igual na literatura portuguesa deste tempo? Como é possível ficar indiferente a certas bruscas iluminações que vão mais longe e mais fundo, no sentido do conhecimento de si e do outro, que todo o material de análise que comumente manuseamos? Como é possível não reconhecer e declarar que se há em Portugal um escritor onde habite o génio ( vá esta palavra, ainda que perigosa e equívoca) esse escritor é Agustina Bessa-Luís?».

Nenhum grande escritor pode ser um «conservador» ou um «revolucionário», porque o que faz um grande escritor é, antes de mais, esse dom de liberdade que não se compadece com classificações. Diz Olga Rodom, em As Fúrias (1977): «A liberdade é uma serpente que rasteja como a inveja primeiro, e depois açoita como a vingança». Sim, a liberdade açoita inexoravelmente as limitações mentais de cada época, expondo-as em carne viva. O pensamento de Agustina não se deixa pastorear, e é isso o que, muitas vezes, ainda hoje, não lhe perdoam – mesmo na hora da consagração, escamoteia-se-lhe o desassossego, a irreverência e a ultra modernidade. Agustina não é uma senhora de alento que escreve uns romances serenos sobre as gentes das margens do Douro. É, isso sim, uma prodigiosa intérprete das motivações humanas. Ninguém como ela entendeu e escreveu sobre o poder, a paixão, o desejo e os seus maravilhosos desastres. No seu último romance, A Ronda da Noite (2007), define com exactidão «os novos feudais»: «A verdade é que os novos feudais estavam a apoderar-se de regiões até aí proibitivas, mas que se mostravam preparadas para os receber. Os media, as revistas de lazer e laudatórias do grande empresário; e toda uma fileira da direita liberal, enfim verdadeiramente segura de que a hora tinha chegado.» E conclui: «Afinal a revolução não emancipara os pobres, os infelizes, só os tornara menos anónimos. Lamentavam-se como crucificados, mas faltavam os meios para os descer da cruz». Quem quiser compreender as engrenagens que movem Portugal e os portugueses, tem de ler Agustina. Está lá tudo, sobretudo o que ainda não se vê.

Não esqueço que uma das suas últimas intervenções públicas foi o apoio à lei da interrupção da gravidez. Logo no início de A Ronda da Noite, morre Patrícia Xavier, aos quarenta anos, em meados do século XX: «Não se podia imaginar que ela morrera dum aborto mal sucedido, mas foi assim. (...) Um aborto não era tão extraordinário e sobretudo depois dos quarenta anos as mulheres recorriam aos médicos para se recomporem dum acidente que, na verdade, tinham previsto mas não acautelado». O doutor Horácio soluçou de raiva sobre o corpo dela, porque Patrícia recorrera a ele «já desfeita por dentro como uma mulher de má vida às mãos de uma abortadeira vulgar, dessas que só falam dos netos lindos que têm e que respiram a virtude do matrimónio» Pobre doutor Horácio. «Tinha pena das mulheres, sempre a sangrar, sempre avariadas de dentro, carregando a cruz do sexo, maior que a de Cristo. Não perdoava que fossem tão mal feitas para o amor, com buracos a mais, sempre a desfazerem-se de medo, de sofrimento, e, no entanto, “prontas para outra”, batendo fortemente os tacões com a vitalidade das suas entranhas que até lhe saíam pelos olhos radiantes. E depois escreviam versos, as pobres coitadas! Todavia, quanto poder no sangue do seu ventre!»

Insisto em citar o seu último romance, não só porque o considero uma obra-prima, mas porque me parece que a fama de A Sibila (1954) acabou por curto-circuitar o entendimento da obra de Agustina. A figura poderosa da Sibila colou-se à autora e tornou-se um estereótipo de compreensão, preguiçoso e falso como todas as ideias-feitas. Ora se os livros iniciais de Agustina são já esplendorosos de sabedoria e notáveis pela reinvenção implosiva da língua e da arte de contar, os romances das duas ou três últimas décadas, à razão de um por ano – além dos volumes de crónicas e ensaios, igualmente importantes – levam esse esplendor a cumes nunca antes experimentados, filosofica e estilisticamente. A escrita tornou-se-lhe mais solta e clara. A própria Agustina o sentia, e dizia-me: «já não tenho que provar nada a ninguém». A intuição, a curiosidade e a experiência do mundo cresceram exponencialmente nela, ao longo do tempo.

Ninguém como ela é capaz de descrever a força erótica que rege o universo. Em A Quinta-Essência ( 1999) escreve: «O sexo é uma matéria inteligente e pode ter um efeito mortal». Contra as ideias comuns sobre a sexualidade dos homens e das mulheres, escreve: «O abismo do entendimento entre o homem e a mulher radica no facto de que para a mulher o sexo é uma verdade. Quanto ao homem, ele nunca encarou a verdade como qualquer coisa impossível de ser mudada.» E analisa: «O trabalho ocupa nas quedas eróticas um papel primordial. Em geral, quando se diz trabalho quer-se dizer falta de recursos para ser amado. Tudo gira em volta dum erotismo que não é descoberto senão quando já é demasiado tarde e as pessoas estão à beira da morte, estropiadas ou meio imbecis. E dizem que o trabalho as envelheceu e tornou num farrapo. Mas é o coração que foi batendo sem qualquer resultado; é o coração que abre sulcos na pele, cria verrugas, endurece as unhas». Em Prazer e Glória (1988) recordava: «Não há império maior do que o que se tem sobre os vícios dos outros». Em A Ronda da Noite, avisa: «A perfeição não é erótica. É o erro que é erótico e não a beleza». Os seus aforismos só formalmente são ocidentais – ou seja, vestidos de lógica e de uma coloquialidade reflectida. Interiormente, correspondem à cintilação imprevisível e amoral do haiku. Para lá deles, sobrevivem as suas inesquecíveis personagens. A que mais íntima se me tornou é Maria Pascoal, protagonista de Um Cão Que Sonha (1997), que dizia: «Nasci adulta, morrerei criança». É esse o trajecto de qualquer escritor digno desse nome, isto é: alguém que procure nas palavras o caminho doloroso da verdade, e que consiga preservar a inocência de mergulhar a fundo no seu contrário. Agustina fez isso, e muito mais. Ofereceu-nos o entendimento das múltiplas almas que cada existência comporta. E deu-nos a possibilidade da beleza, que é a coisa mais difícil, íntima, imperfeita e consoladora que existe.


(Nota: este texto foi escrito e publicado na revista comemorativa da 11º edição do encontro de escritores Correntes d'Escritas em Fevereiro de 2010 na cidade da Póvoa de Varzim. Agustina Bessa-Luís faz anos hoje- 15/10/2010)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Igor Oistrakh

April 27, 1931 - Odessa, Ukraine

The Ukrainian violinist (and conductor), Igor (Davidovich) Oistrakh (Russian: Игорь Ойстрах), is the son of the great violinist David Oistrakh. As a small boy he was taught to play violin, but his studies were interrupted and resumed only in 1943 under the guidance of Professor Pyotr Stolyarsky, an outstanding Soviet teacher. Later Igor finished as a brilliant pupil the Central Music School where his teacher was V. Merenbaum, and made his concert debut in 1948. His father David exercised the decisive influence on the development of the young artist's personality: it was under his guidance that Igor continued his studies at the Moscow Conservatory from 1949 to 1955 and took a post-graduate course. In 1949, at 18, Igor won the first prize at the International Violinists' Competition of the Youth and Student Festival in Budapest. The International Wieniawski Competition in Poznań brought him in 1952 a similar award.

Igor Oistrakh appears with unfailing success in the Soviet Union and abroad, inspiring enthusiastic press notices. His western debut took place at the Royal Albert Hall, London, and was followed by concert tours through the USA, Europe (Austria, Denmark, France, Britain, the GDR, Czechoslovakia), the USSR, Canada, South America, Japan and Australia. He has performed with the world's greatest orchestras under renowned conductors as Otto Klemperer, Reiner, Herbert von Karajan, Eugene Ormandy, Carlo Maria Giulini, Georg Solti, Lorin Maazell, Zubin Mehta, Seiji Ozawa, Rozhdestvensky and others, and his father, David Oistrakh. For 27 years, he played in a unique duo with his father, making several recordings together. Three times Igor was a participant of the festivals founded by Pablo Casals, who enjoyed their joint performances and highly apprlciated Soviet musician's skill. Igor has also given concerts with Yehudi Menuhin. The critics admire warm expressiveness of his violin, precision of his phrasing, his stern style, nobleness and virtuoso technique. Some critics even regard him as equal to his father in virtusity. He is noted for his lean, modernist interpretations. He has recorded for EMI, Deutsche Grammophon, Decca, RCA, Collins, Melodiya, and Art and Electronics.



(Igor with his father David Oistrakh)


Following his father's death in 1974, Igor Oistrakh continued the family tradition with his son Valery, also a prize winning concert violinist. Igor's wife, Natalia Zertsalova, is his duo pianist and together they have been awarded Honorary Membership in the Beethoven society in Bonn for their recording of the complete Beethoven Sonatas. They were also awarded the "Weiner Flotenuhr" by the Vienna Mozart Academy for their recording of the complete Mozart Violin Sonatas.

Since 1968 Igor Oistrakh has also conducted chamber and symphony orchestras as well as performing as a viola player. He is known as a conductor directing Soloists Ensemble of the Moscow Philharmonic Symphony Orchestra. Together they recorded Arcangelo Corelli's Concerti grossi, J.S. Bach's Brandenburg Concertos (BWV 1046-1051), W.A. Mozart's Slnfonla Concertante in E flat major for Violin and Viola and Serenade No.13 in G major for strings (Eine kleine Nachtmusik).

(Igor and your son Valery Oistrakh)

In 1958, Igor Oistrakh joined the faculty of the Moscow Conservatory in 1958, becoming a lecturer in 1965. Since 1996 he has held the post of Professor of the Royal Conservatory in Brussels. He was awarded the title of People's Artist of the USSR in February 1968, and became an Honorary Member of the Wieniawski Society in Poznan. Other awards and appointments include Fellow of the Royal College of Music, London, Presidency of the Russian section of the European String Teachers Association, honorary member of the Beethoven Society in Bonn, Honorary member of the Jascha Heifetz Society and the Ysaye Foundation, Belgium, Honorary President of the Cesar Franck Foundation in Belgium and member of the jury of the most prestigious violin competitions such as Tchaikovski, Queen Elisabeth, Wieniawski and Carl Flesch.
The asteroid 42516 Oistrach was named in his (and his father's) honour.



Three generations of great violinists, unqualified success.

Um texto de Pablo Neruda.

...Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ...

Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ...
Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ...
Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ...
Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ...

Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ...
E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ...

Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda ...

Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ...

Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ...

São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ...
Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas .

Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca mais,se viu no mundo ...

Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada...

Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma.

Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.

(Do livro "Confesso que Vivi — Memórias",´Pablo Neruda)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

AO EU POETA OBSCURO*

Meu caro eu, meu poeta obscuro, se as portas se fecham, acalma o coração que o Todo deseja. Deixa supurar o mar da fúria. Eu sou essa fúria espalmada, aquele caracol que de teu limbo escapa. Um ângulo da alma, um certo abismo que te chama. Mas não te deixes sorver por essa força que te toma. Aceita, escreve... E lembra-te: lesmas, abelhas, abismos não são propriamente aos quinze minutos de fama destinados.

Se a poesia te chama, empenha-te em colocá-la para fora com as ferramentas que te servem. E aos ouvidos que te pedem, fala...

Entra em bons termos com a mágoa. E que tua alma acolha mais e mais a dor dos elefantes...

Achega-te a mim, a tua secreta verdade...

Sente como é bom pernoitar no coração dos amigos que te acolhem, te apalpam. São eles teus termômetros, tuas asas.

Vai ao teu jardim, ama tuas flores, observa aquela luz que as ilumina e se transfigura em tua alma. A beleza são esses achados, um certo conciliar entre o sentido que enxerga e as inesgotáveis manifestações da alteridade. É o paradoxo encantado, ilusão que nos diz que não existimos sem o mundo, e este não vive sem nossos olhos. Expressa essa beleza que é essência, que ao espírito remete.

No mais, os dias passam, o sol diminui no ocaso seu passo. E tudo volta, com o novo dia, ao seu antigo hábito.

Ah, escreve para os elefantes. Dizem que eles não esquecem. Assim tua alma inteira irá se aquientando em tua casa...

Fernando Campanella



*Maravilhoso texto, do especial amigo, poeta, e professor mineiro, Ferando Campanella.
Enjoy.